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Velocidade | 02/09/2014

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Opinião F1 Paddock Press: O fim do mundo está próximo

Recebo uma notícia na sexta-feira que, ao ver o título, pensei: â?????????? mais uma daquelas viagens de jornalista para venderâ???. Ao entender que o anúncio era oficial, mais uma vez entendi o porque todo mundo fala que o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro. Acabando ou não, a verdade é que a saída de Hamilton para a Mercedes e, principalmente, a ida de Sergio Perez para a McLaren surpreendeu até os mais certeiros palpiteiros de plantão. E, de certo, esta notícia mexeu com todas as vagas de contrato aberto, ate mesmo com as mais garantidas.

Não nego que sou um fã de Hamilton. Seu gênio impetuoso e seu modo agressivo, e sempre rápido, de pilotar lembram bastante o nosso Ayrton Senna em seu período pré-McLaren. Trazido, desenvolvido e criado por Ron Dennis, que acreditava demais no seu talento, quase todos imaginavam que este inglês ficaria a carreira inteira no time de Woking. Nada impediria uma saída no final de carreira, mas nisso ele já estaria com o nome entre os grandes da história da equipe inglesa. Mas, aliás algo que não aprendo, não podemos duvidar das imensas possibilidades que 2012 traz e o anúncio de sua ida para o time alemão da Mercedes pegou a todos de â?????calças curtasâ???.

O mexicano Perez, como vivo elogiando durante este ano, vem surpreendendo. Com uma pilotagem agressiva e muito técnica, consegue levar o mediano carro da Sauber constantemente aos pontos, culminando com 2 segundos lugares na temporada. Talvez seja o mais expressivo de todos os pilotos que a Sauber revelou, que conta com estrelas como Kimi Raikkonen, Karl Wendlinger e Felipe Massa. Seu nome sempre foi ligado à Ferrari, afinal o mexicano é da academia de formação de pilotos da montadora italiana. Porém, as recentes declarações de pessoas da alta cúpula da Ferrari, dizendo que Perez é verde e inexperiente, acabaram fazendo o mexicano pensar em mudar de ares.

Ao meu ver, Lewis deu um passo para trás. Ele pode dizer que a Mercedes é montadora e quem estiver com uma equipe de fábrica quando lançarem os novos motores em 2014 estaria em vantagem, mas nunca vi a equipe alemã em compasso para disputar título. Seu comando, por melhor técnico que seja, está submisso às vontades de uma montadora, que normalmente só quer saber de aparecer e fazer propaganda. E lógico, opina no que não deve, além de criar uma estrutura grande demais, ligada à fabrica. Isso impede o crescimento, por diminuir a velocidade do desenvolvimento da equipe através da burocracia, e encarece seu custo vital. Por este motivo, Honda, BMW, Renault e, em especial, a Toyota falharam na tentativa de fazer uma equipe campeã.

E, por mais que seja apenas uma cliente, a McLaren possui engenharia reconhecida mundialmente, trabalha no próprio carro esportivo de alto desempenho e possui uma estrutura compacta, adaptada ao mundo da F-1. Tem performance comprovada até com motores mais fracos, como vimos nos anos 90. Hamilton pode ter ido para uma montadora, mas perde uma estrutura mais enxuta e muito mais eficiente. Além de perder o status de â?????filho pródigoâ??? de que sempre gozou.

Por outro lado, â?????Checoâ??? é só alegria. Começando que terá a oportunidade de pilotar por uma equipe top. Segundo, que se livrou de ter de começar sua carreira numa equipe grande sendo escudeiro para um piloto já consagrado. E, principalmente, pode mostrar aos mesmos que o criaram e desdenharam que é bem visto por outros tão competitivos quanto e pode refletir isso diretamente na pista. De certa forma, sou um dos que acha Sergio Perez ainda verde, imaturo, mas talento é que nem um diamante e precisa ser lapidado aos poucos. O brilho e talento saltam aos olhos, falta apenas gente que o faça brilhar à altura. E em Woking terá uma equipe competente e uma filosofia de competição que não irá podar suas asas, que o deixará livre para correr e mostrar ao que veio.

De qualquer forma, essa mudança inesperada na â?????dança das cadeirasâ??? (ou silly season, como preferirem) mexeu com todos na Fórmula 1. Uma boa vaga está de pé na Sauber, um piloto multi-campeão deve pendurar as chuteiras e, para somar, um segundo piloto sempre defendido pela equipe, parece não ter seu lugar garantido.

?????… essa dança vai dar bolero.

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