Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image

Velocidade | 29/11/2014

Scroll to top

Top

F1
No Comments

Opinião F1 Paddock Press: Whisky & Tequila

Ricardo Arcuri

Seguindo o que comentei na coluna de semana passada, Monza é mais um dos 5 circuitos da temporada em que vale a pena desmarcar compromissos para assistir. Monza ainda faz parte das pistas â?????à moda antigaâ???. Suas longas retas forçam o uso de asas de baixo arraste, que acabam por comprometer a freada. Com isso, os carros ficam mais difíceis de guiar, de fazer curvas, e os erros acontecem de enxurrada. Como também é uma pista de muita aceleração, os carros se nivelam e a diferença de tempos entre eles se tornam pequenas, dando chances às equipes menores de mostrar serviço. Da mesma forma, a baixa carga aerodinâmica compromete menos o consumo de pneus.

De fato, a prova não foi tão recheada de emoções como a corrida maluca de Spa, mas os acontecimentos durante comprovaram que as forças continuam a mudar de lado. A bola que levantei está correta: a McLaren é a equipe a ser vencida nessa altura da temporada. As vitórias contundentes de Hamilton e Button comprovam e só não tivemos uma dobradinha na terra dos tifosi porque o carro de Button sofreu uma quebra rara.

Novamente, palmas para â?????Checoâ??? Perez e para a Sauber. Não me canso de elogiar, Monisha Kalterborn e sua equipe não se cansam de me surpreender. Partindo com uma tática completamente diferente dos outros, Perez conservou bem os pneus, manteve um bom ritmo com os compostos duros e, quando colocou os pneus médios, corria um segundo por volta a mais que a maioria. Assim, partiu para uma inesperada 2ê posição e só não brigou pela vitória por alguns giros.

Apesar do discurso de Alonso, falando que poderia ter vencido a prova, uma análise simples que fiz coloca por terra essa declaração. Ao observar o comportamento dos carros rubros e dos Red Bull em reta, reparei que suas relações de sétima marcha estavam curtas demais. Com isso, víamos Vettel e Alonso tendo problemas para ultrapassar competidores mais lentos de miolo, mas com boa velocidade de reta. Já havia mencionado isso sobre os Touros Vermelhos em Spa e o problema se repetiu, com a inclusão da Ferrari. A prova disso estava no desempenho de Bruno Senna (Renault), Schumacher (Mercedes) e Ricciardo (Ferrari) defendendo suas posições. Vale salientar também, como exemplo contrário, o bom desempenho de Hamilton na reta, que atingia 325 km/h em situação simples, mas sua relação aproveitava bem o conjunto KERS + DRS e seu carro atingia velocidades em torno de 340 km/h.

No aspecto jurídico, méritos para a FIA em suspender Grosjean nesta prova. Porém, falta uma mesma aplicação a Maldonado, pois este possui mais problemas praticados durante a temporada. Não achei correta a punição de Vettel por fechar a porta em Alonso, mas também não posso criticar muito além. Vettel defendeu a posição corretamente, mas sua demora em reagir em um trecho muito rápido colocou Alonso em perigo de acidente direto. O que não pegou bem foi que Alonso fez o mesmo ano passado e não sofreu punição alguma. Ainda falta critério aos comissários da FIA.

Com as quebras de Vettel, Webber e Button (este por estar na frente), Alonso abriu ainda mais distância no campeonato. Hamilton se tornou o principal rival nessa fase final, especialmente se a McLaren continuar com esse ritmo todo. Não vejo mais a Red Bull nessa disputa, visto que seus â?????apetrechos aerodinâmicosâ??? foram banidos e nivelou seus carros com a concorrência. Raikkonen, como boa surpresa, corre por fora. Mas sua constância nos pontos o credenciam sim como candidato ao titulo, mesmo que indireto.

***
Não consigo aceitar esse â?????trabalho de equipeâ??? aplicado pela Ferrari. Paremos com o ufanismo brasileiro e pensemos apenas no esporte. Fazê-lo na última, ou penúltima, prova do campeonato é até natural. A Indy e Nascar fizeram e fazem isso. Mas não consigo aceitar um acontecimento desses faltando OITO etapas para terminar o certame. Tudo bem, Massa não tem mais chances de vencer, muito menos psicológico para isso, mas fazê-lo deixar passar vai contra o que qualquer competidor e/ou categoria aceitaria, ou deveria aceitar. Passar por estar mais lento é compreensível e esse não era o caso de momento na corrida. Vai contra e fere a ideia do desporto.

Ron Dennis pode ser antipático e o que mais quiserem, mas sua ideia de deixar seus pilotos competirem é um exemplo, que deveria ser seguido como obrigatoriedade. A FIA não deveria deixar isso acontecer, mas considerando que seu comando foi o primeiro a adotar e abraçar esse tipo de atitude, o jeito é engolir esse tipo de sujeira na pista. Ou não.

  • Share on Tumblr