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Velocidade | 18/12/2014

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F1
3 Comments

Opinião F1 Paddock Press: Turbinados

Ricardo Arcuri

Durante as férias européias, alarei de assuntos diversos sobre o mundo da Fórmula 1.

A partir de 2014, uma â?????antiga-novaâ??? era tecnológica tomará conta da Fórmula 1. Os motores turbos, que estão voltando com força na indústria automotiva, também voltarão à categoria máxima do automobilismo mundial. Essa tendência vem junto com o conceito downsizing engine, com motores de menor volume deslocado (vulgo cilindrada) que diminuem o consumo e sistema de sobre-alimentação (turbo ou charger) para compensar a baixa potência gerada. Como mencionei no começo, essa â?????novaâ??? era dos motores na verdade teve um princípio vários anos atrás.

No final dos anos 70, para tentar vencer o quase eterno domínio dos motores Ford-Cosworth DFV (que estava no topo havia 10 anos), a Renault começou a desenvolver um motor com sistema de sobre-alimentação, através de turbo-compressor. Basicamente, assim como o sistema dos carros de rua, este utiliza os gases de escape como fluído para girar um sistema de pás (turbina). Ligado a este sistema, existe outro de pás que faz uma sucção forçada do ar limpo, que entrará no cilindro da mesma forma comprimida (compressor). Com isso, uma maior quantidade de ar entra na câmara de combustão, que vem a aumentar a potência gerada por explosão. Sua potência era algumas centenas de cavalos maior que os motores aspirados, porem seu índice de quebras era igualmente maior, devido às altas pressões geradas pelos turbo-compressores. Ainda assim, assustadas com os números muito superiores atingidos, as montadoras aos poucos foram aderindo à nova filosofia.

No meio dos anos 80, praticamente todos os motores do grid eram turbinados de 1,5 litro, com exceção da Ford-Cosworth, que ainda demorou um tempo para criar seu propulsor turbinado. O que víamos eram motores que, no ano de 1988, o último da era turbo, geravam algo em torno de 1.400 cavalos, mas que tornaram também a categoria numa verdadeira roleta russa, tanto no índice de quebras, como na integridade dos pilotos. A era turbo terminou no final da temporada de 1988, migrando para os motores aspirados de 3,5 litro de 670 cavalos.

A atual configuração dos motores turbinados deve ser de 1,6 litro e 4 cilindros, diferente dos V6 (ou até V8!!!) existentes nos motores dos anos 80. Porém, a potência gerada, até por uma questão de segurança, deve atingir o patamar de 800 cavalos, aproximadamente. O intuito é comprovar que motores turbo também podem ser econômicos e bem duráveis. Com os controles eletrônicos existentes nos motores atuais e as menores taxas de pressão de turbo, o índice de quebras é esperado ser apenas 10% do que eram 30 anos atrás. Como parâmetro de comparação, os turbos dos anos 80 geravam pressões de 2,5 a 3 bar. Os atuais devem ficar no patamar de 1,3 a 1,5 bar de pressão (a IndyCar adotou este ano os motores turbos com injeção direta e a pressão varia entre 1,3 e 1,4 bar). O consumo também deve melhorar bastante, passando dos atuais 1,25 km/l para prováveis 4 km/l.

No final, o que a categoria quer é andar junto com o que as montadoras querem criar. Não era muito da vontade das fabricantes migrar para essa nova configuração dentro da Fórmula 1, mas existe uma necessidade de chamar novas concorrentes para criar propulsores e nada melhor que seguir essa tendência mundial. Também comprova que o mito criado nos anos 90, que motor turbo mais quebrava que trazia resultados, está caindo por terra (nos anos 90 e 2000, apenas a Formula Mundial â?????? CART e Champ Car â?????? corria com motores turbos).

***

Alheio à Formula 1, no âmbito dos carros de rua, estamos vendo uma nova tendência de mundial de motores, mais fortes e econômicos, que infelizmente vai demorar a chegar por aqui. Mas muito mais pelo preconceito retrógrado do brasileiro, que por má vontade das montadoras.

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  • http://www.facebook.com/andre.rodrigues.18062 Andre Rodrigues

    Como diria o Brunetti cilindrada é pegar um cilindro e jogar na cabeça de um….

  • http://www.facebook.com/estevamjackie Estevam Jackie

    Turbo: esse eterno desconhecido

  • http://www.facebook.com/jgoncalvesjr João Junior

    Carioca, sempre o visionário. Grande matéria!