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Velocidade | 20/08/2014

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Opinião F1 Paddock Press: La Pasta Nera

Aproveitando essas semanas de férias da Fórmula 1, comentarei sobre diversos assuntos da categoria, colocando neles meu conhecimento técnico e opinativo do assunto.

Semanas atrás comentei da formação do chamado â?????macarrãozinhoâ??? (marbles) oriundo dos pneus, o motivo de sua formação etc. Mas, mais importante que sua explicação técnica, é a mudança de filosofia que possibilitou esse novo universo técnico dos pneus da categoria máxima.

Até o ano de 2010, a Bridgestone era a única fornecedora da categoria. Devido a não-competitividade entre marcas de borracha, a fabricante nipônica podia fazer pneus na configuração que lhe viesse a calhar. O que víamos eram compostos altamente resistentes, podendo até em algumas provas ficar a corrida toda sem precisar trocá-los (o regulamento exige pelo menos uma troca de pneus, sendo necessário ou não. Assim podíamos ter trocas na última volta, por exemplo). Para a fabricante era um chamariz de marketing poderoso, pois mostrava ao mundo que podia fazer pneus rápidos e duráveis. Porém, não é nenhuma mágica fazer compostos dessa forma, pois basta apenas aumentar seu tempo de vulcanização, deixando-os mais duros e menos rápidos.

Ao final do contrato e ao mudar para a fabricante italiana Pirelli, Bernie Ecclestone foi enfático: â?????precisamos fazer pneus que se desfaçam e que aumentem os números de trocasâ???. Ou seja, ampliar as variáveis da corrida. Partindo desse princípio, a fabricante italiana partiu para a baixa vulcanização, mesmo indo contra ao princípio marqueteiro de menor desgaste e maior durabilidade. Com isso nasceram pneus rápidos e que duravam no máximo meia corrida, mesmo em seu compósito mais duro. Essa receita foi interessante, especialmente pelo fato de a fabricante estar estreando em cada pista e por trabalhar com testes bem limitados. A temporada passou e aconteceram erros esperados, mas a resposta perante a adversidade foi digna de aplausos. Aumentaram as variáveis das provas e apenas um dos compósitos precisou ser modificado, justamente o mais duro. Os pneus de chuva, que passariam a ser apenas dois tipos: intermediário e chuva forte, foram ruins no começo devido aos poucos testes em pista molhada, mas melhoraram em tempo recorde.

Os resultados do ano passado foram satisfatórios, mas a cereja do bolo veio nesta temporada. A Pirelli conseguiu fazer um composto neutro, sem se basear em dados mecânicos de equipe alguma. Um diretor de equipe, que confesso não lembrar agora, declarou que quem descobrir como fazer a suspensão conversar melhor com o pneu teria uma vantagem enorme na temporada, e este desafio quase cego foi o que nivelou todas as equipes. O resultado é que estamos vendo um dos campeonatos mais disputados de todos os tempos, boa parte graças a esta neutralidade da borracha italiana.

Apesar de estarmos na segunda metade da temporada, ainda faltam várias corridas e o campeonato está em aberto. Ainda assim, o grande barato já está acontecendo e o responsável por isso é uma peça simples, sem eletrônica e que apenas é percebida quando fura, mas que é tão importante quando motores, asas, freios etc. Um componente responsável pelo contato do carro com o solo e, justamente por isso, de extrema importância.

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