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Velocidade | 27/11/2014

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F1
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Opinião F1 Paddock Press: Caminho das Índias

Ricardo Arcuri

Durante as férias da Fórmula 1, estarei comentando assuntos gerais da categoria.

No meio da década passada, a categoria sofreu uma perda inestimável em seu círculo de diretores: a Jordan fechou as portas e seu emblemático dono teve de abdicar do projeto do qual lutou anos para ver crescer. Apesar de algumas vitórias e brilhos, a Jordan nasceu numa época errada, onde apenas as equipes em acordo com grandes montadoras poderiam crescer e que os chamados românticos não eram nada além de entusiastas. Porém, o seu final não foi realmente o fim de uma história e sim o começo de uma outra, igualmente interessante.

O espólio da Jordan foi vendido para um grupo russo e passou a se chamar Midland. O empresário russo achou que Fórmula 1 era apenas investir dinheiro e os resultados viriam, mas este modo amador de pensar não rendeu absolutamente nada e, um ano depois, a equipe foi vendida para a montadora holandesa Spyker. Estes, produtores de carros esporte de alta performance, porém não muito conhecidos do público em geral, queriam a Fórmula 1 como uma vitrine de seus produtos, como a Ferrari e antigamente a Lotus fizeram. Mas o descaso com o lado técnico fez o projeto durar novamente apenas um ano e novamente o espólio da Jordan estaria sendo passado a outro dono. E aí começa uma história completamente diferente.

Vijay Mallya é um empresário indiano, dono de um grande conglomerado que está em quase todos os tipos de mercado àde sua terra natal. Orgulhoso do crescimento do seu país nos últimos anos, resolveu levar para a Fórmula 1 um pouco desse orgulho, criando a Force India. A equipe aparecia também para levar um pouco da cultura do esporte no povo, além de fazer crescer o orgulho patriótico em um povo conhecido pela pobreza. Seu começo foi igual as suas antecessoras: fraquíssimo desempenho e sempre amargando a fila final do grid. Porém, ao custo de trabalho duro e bom investimento, a equipe começou a crescer e deixar o fim da fila. Ainda assim, seu dono não estava satisfeito e seu tino comercial começou a trazer importantes adições ao seu lado técnico.

Graças a sua influência, a equipe indiana conseguiu o suporte da McLaren/Mercedes no fornecimento de motores e transmissões, além da cooperação técnica na parte de powertrain. Parece não ser muito importante nesses tempos de aerodinâmica refinada, mas essa adição fez a equipe subir duas filas no grid em apenas uma temporada. A resiliente transmissão inglesa e o potente e suave motor alemão ajudaram o time a galgar posições e ganhar respeito pelas outras equipes da categoria. Com o tempo, vieram os reforços na parte aerodinâmica. Apesar de não ser o lado forte, seu carro costuma andar bem em circuitos de muitas retas, que culminaram com o pódio nos GPs da Bélgica e Itália de 2009, e até hoje, seus carros estão sempre bem colocados nesse tipo de pista.

Seu crescimento não é algo digno de precocidade, mas demonstra um trabalho sério e dedicado de seu chefe de equipe. Ele poderia ter investido seu dinheiro em outras atividades e obtido retorno semelhante, mas sua seriedade e crença no que o esporte pode trazer para a vida de um povo é digna de respeito e vale dedicar uma coluna para enaltecer esse esforço. Pode ser que a Force India nunca seja um time de ponta, mas podem apostar que sua existência é reconhecida e respeitada pelo mundo inteiro, sejam eles donos de equipe ou simplesmente fãs.

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