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Velocidade | 20/12/2014

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F1
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OPINI????O F1 PADDOCK PRESS: Precisão Suíça

Ricardo Arcuri

Monisha Kaltenborn – Uma das apostas de Peter Sauber (Divulgação)

Peter Sauber é daqueles donos de equipe que não existem mais. Apesar de sua â?????curtaâ??? carreira na F-1, seus aparecimentos nas pistas européias datam da década de 60, chegando a vencer as 24 Horas de Le Mans. Assim como Frank Williams e Ron Dennis, Sauber é um daqueles românticos, que disputam pelo amor as corridas e aos carros. Porém o sucesso não foi igual aos seus contemporâneos, até por uma questão de filosofia do esporte, que se tornou altamente financeiro. Mesmo assim, contra todas as adversidades, lá está ele conduzindo seu respeitado time, com coração e afinco.

Recebeu de volta a equipe pela BMW, que tentou sem sucesso um ambicioso projeto para o titulo mundial, completamente abandonada e desmantelada. Sem patrocínio, correu sua primeira temporada após a cisão com o dinheiro que a própria montadora alemã deixou, como modo de compensar sua repentina saída. Ainda assim, conseguiu o patrocínio do homem mais rico do mundo, mesmo tendo de ceder um dos carros para um dos pupilos do programa de pilotos da TELMEX. O que parecia ser o começo do fim mostrou ser um belo recomeço. A Sauber tem conseguido bons resultados, melhores até que equipes com mais recursos financeiros. Pode-se dizer que teve uma ajuda da sorte e isso não se pode negar, mas seu já conhecido vanguardismo e olhar ferino continuam afiados e surpreendendo o mundo.

Começou trazendo um finlandês, que tinha apenas 3 anos de automobilismo nas costas. Muitos temiam seu comportamento na pista e as consequências disso. O que vimos foi um menino com jeito de campeão mundial logo de cara. Ron Dennis, raposa igual, logo viu essa habilidade latente e trouxe Kimi Raikkonen para sua vitoriosa equipe. Não contente com isso, trouxe um dos meninos da TELMEX, mesmo com fracos resultados na GP2. Hoje, Sergio Perez aparece como nome do futuro na categoria. Sua agressividade aliada à habilidade tem chamado atenção de todos. Isso sem mencionar a companhia do também promissor Kamui Kobayashi, formando uma das duplas mais perigosas da categoria.

Para o terceiro exemplo, separei um parágrafo especial. Peter Sauber trouxe a indiana Monisha Kalternborn para comandar o marketing da equipe. Seu trabalho foi tão eficiente que, mesmo em tempos difíceis e desconfianças acima de resultados, trouxe a TELMEX para a carenagem do carro suíço, além de encaminhar o processo para o anexo da marca do time inglês Chelsea à imagem desportiva. Com isso, resolveu colocar a indiana na pista, tornando-a a primeira mulher na história a ser chefe de equipe. Sauber sabe o que faz e a maior prova disse aparece na pista, com seus pilotos sempre subindo ao Q3 e também à zona dos pontos, mesmo com orçamento baixo para uma equipe de Fórmula 1. Sauber anunciou que pretende se aposentar em breve e claramente quer deixar Monisha no controle da equipe, alguém que em pouco tempo se tornou braço direito da velha raposa suíça.

Como toda equipe de F-1, algumas temporadas ruins podem acabar com o planejamento de anos ou até mesmo com a existência da equipe. Mas vejo esse renascimento da Sauber como um novo rumo para a equipe suíça, para algo diferente. Posso até estar exagerando, mas não me surpreenderia em vê-los em alguma época no topo do grid. Se vai acontecer eu não tenho como saber, mas sei que Sauber soube escolher bem com quem trabalhar. E os frutos estão sendo e serão colhidos pelas pistas do mundo todo.

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