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Velocidade | 30/10/2014

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OPINI????O F1 PADDOCK PRESS: A Ressurreição do Mito

Ricardo Arcuri

Semana passada tive uma rara honraria: graças a indicação de um amigo, fui convidado por uma empresa de marketing para opinar sobre o uso da marca Senna. O intuito era encontrar fãs da minha faixa etaria, para entender a imagem que estes tem do piloto e o que esperavam ver em relação à marca. Após sair da entrevista (da qual recebi um belo presente), me peguei por dois dias pensando a respeito, especialmente sobre a memoria que ele deixou e da força que ainda tinha sobre os brasileiros.

Fiquei pensando se a imagem do piloto Ayrton Senna havia se perdido no limbo. Querendo ou não, esses 18 anos desde sua morte passaram voando e adolescentes, e ate adultos, não chegaram a vê-lo correr. Sabem apenas que foi um bom piloto brasileiro, que ganhou muitos títulos lá fora. Quando muito, sabem que foi um gênio das corridas. Dentro da minha própria empresa vi exemplos a respeito. Esse sim é um assunto a pensar, pois realmente a maioria não tem ideia do que Ayrton Senna representou para um país devastado pelo regime militar e pela hiper-inflação. Descobri então que sua marca realmente perdeu força, pois o unico representante social seria o Instituto Ayrton Senna, queàintuiàem trazer uma melhor qualidade de vida a crianças mais necessitadas e por ser uma entidade filantropica, nao é interessante manter-se na mídia. Mas, ao mesmo tempo, entendi tambem que a marca não está morta e sua força é bem maior do que muitos outros ícones da época, que parcial ou completamente já se perderam no ostracismo.

Fiquei pensando tambem sobre o publico-alvo da marca. Quando se ve a marca Senna pensa-se em elite, produtos de alto poder aquisitivo, o que não está errado. Mas ao mesmo tempo, não acho legal ter qualquer tipo de segregação ligada a um piloto que, mesmo longe do país natal, pegou uma bandeira desta mesma pátria após vencer uma corrida e rodar com ela com os olhos do mundo para si. Isso é capaz de fazer elevar a moral de um país inteiro, que estava aos frangalhos. Entendo eu que essa marca não pode ser popular, mas tem de ser acessível. Da mesma forma, ligada ao que ele sempre representou: o esporte. Não estou falando apenas de automobilismo, mas todos os esportes. Um colega me falou uma inspiração que Ayrton trazia a respeito: todo dia de manha, ele corria. Era a maneira que arranjou para manter uma boa capacidade respiratória, assim como criar a rotina de exercícios. Condição obrigatória para qualquer piloto na atualidade, essa iniciativa engatinhava com ele, no começo dos anos 90.

També acho que esta marca deve ser ligada intimamente ao piloto, que é importante manter o mito vivo. Não precisa de muito, acreditem. Basta comentar algumas de suas incríveis histórias, um pouquinho das genialidades dele, dentro e fora das pistas. Dessa forma, o mito vai sobreviver dentro do coração das pessoas, jovens ou não.

Sei que Ayrton não era uma unanimidade, ate porque Nelson Rodrigues acertou como nunca ao dizer â?????Toda unanimidade é burraâ???. Meus anos acompanhando a categoria me tornaram um admirador blindado ao â?????ufanismo globalizadoâ??? e isso me credencia a escrever a coluna dessa semana. Ele não era perfeito e logicamente tinha seus defeitos, sei muito bem, mas seu legado precisa se manter vivo, precisa manter o exemplo. A marca Senna deve existir como inspiração para um povo eàtodos seus aspectos devem ser explorados.

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