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Nelson Piquet assume que bateu de propósito



Que todos sabiam que essa história viria à tona uma hora ou outra é fato, mas não em forma de delação premiada de Nelson Piquet. O ex-piloto da Renault admitiu que bateu propositalmente no GP de Cingapura, o qual foi coincidentemente vencido pelo seu ex-companheiro de equipe Fernando Alonso.

Nelson A. Piquet no GP de Cingapura

Sem vaga na F1, o piloto resolveu botar a boca no trambone. Quer prejudicar Briatore, Alonso e a montadora francesa. O que ele ganha com isso? Nada. Só a sensação de ter se vingado e a chance de perder para sempre uma oportunidade na categoria. Os tempos mudaram.

Vale lembrar, como citou o Thiago Chiaremonti no Twitter, que esse fato colaborou para a perda do título de Felipe Massa. O que pode gerar ainda mais raiva da torcida, especialmente brasileira.

Leia o depoimento na íntegra, publicado no site do Globo Esporte:

- Gostaria de trazer os seguintes fatos ao conhecimento da FIA.

Durante o GP de Cingapura, realizado no dia 28 de setembro de 2008, fui convidado pelo Sr. Flavio Briatore, que é tanto meu ‘manager’ quanto diretor da equipe Renault, e pelo Sr. Pat Symonds, diretor técnico da mesma equipe, a bater deliberadamente meu carro, a fim de influenciar positivamente o desempenho da Renault no evento em questão. Concordei com esta proposta e conduzi meu carro para acertar o muro, provocando um acidente entre as voltas 13 e 14.

A proposta de provocar deliberadamente um acidente me foi feita pouco antes da corrida, quando fui convocado pelo Sr. Briatore e pelo Sr. Symonds no escritório do Sr. Briatore. O Sr. Symonds, na presença do Sr. Briatore, perguntou se eu estaria disposto a sacrificar minha corrida pela equipe por um safety car. Todo piloto sabe que o safety car entra na pista quando há um acidente que a bloqueia ou joga detritos, ou quando há um carro parado onde é difícil resgatá-lo, como foi o caso.

No momento da conversa, estava em um estado mental e emocional muito frágil. Este estado de espírito foi provocado pelo estresse intenso causado pelo fato de que o Sr. Briatore se recusou a informar da existência da renovação de meu contrato de piloto para 2009, como habitualmente ocorre no meio da temporada (entre julho ou agosto). Ao contrário, o Sr. Briatore repetidamente pediu-me para assinar uma “opção”, o que significava que eu não estava autorizado a negociar com outras equipes no mesmo período. Ele repetidamente me colocou sob pressão para prolongar a opção que tinha assinado, e iria me chamar regularmente em seu escritório para discutir a renovação, mesmo em dia de corrida – um momento que deveria ser apenas para concentração e relaxamento. Este esforço foi acentuado pelo fato de que, durante o GP de Cingapura, tinha me classificado em 16º no grid, então estava muito inseguro sobre meu futuro na Renault. Quando me pediram para bater o carro e provocar a entrada do ’safety car’ a fim de ajudar a equipe, aceitei porque esperava que pudesse melhorar minha posição na equipe neste momento crítico da temporada. Em nenhum momento fui informado por qualquer pessoa que, ao concordar em provocar um incidente, eu teria garantido a renovação de meu contrato ou qualquer outra vantagem. No entanto, no contexto, pensei que seria útil para alcançar este objetivo. Por isso, concordei em provocar o incidente.

Após a reunião com o Sr. Briatore e o Sr. Symonds, o Sr. Symonds me puxou para um canto tranquilo e, usando um mapa, apontou-me para a curva exata da pista onde eu deveria bater. Esta curva foi escolhida porque aquele local específico não possui guindastes que permitiriam que um carro danificado pudesse ser rapidamente removido da pista, nem possui entradas laterais, o que permitiria que um fiscal pudesse empurrar rapidamente o carro para fora dela. Assim, considerou-se que um acidente neste lugar específico seria quase certo de provocar uma obstrução da pista e que, portanto, seria necessária a entrada do safety car a fim de permitir que a pista fosse limpa e para assegurar a continuidade da corrida.

O Sr. Symonds também me disse em que volta exata, eu deveria provocar o incidente, de modo a proporcionar a meu companheiro de equipe, o Sr. Fernando Alonso, uma boa estratégia, já que ele faria seu reabastecimento pouco antes da entrada do safety car, durante a 12ª volta. A chave para a estratégia reside no fato de que o conhecimento de que o safety car entraria na pista entre as voltas 13 e 14 permitiu que a equipe fizesse no carro do Sr. Alonso uma estratégia agressiva de combustível, suficiente para chegar a 12 voltas, mas não muito mais. Isso permitiria que o Sr. Alonso ultrapassasse o máximo de carros possível, sabendo que os carros teriam dificuldade em recuperar o tempo perdido depois do pit stop devido à implantação posterior do safety car. A estratégia foi bem sucedida e o Sr. Alonso venceu o GP de Cingapura de F-1 de 2008.

Durante as discussões, não foi feita qualquer menção de quaisquer preocupações no que diz respeito à segurança desta estratégia para mim, para os espectadores ou para os outros pilotos. O único comentário feito neste contexto foi realizado pelo Sr. Pat Symonds, que me alertou para “ter cuidado”, dizendo que não deveria me ferir.

Intencionalmente causei o acidente, deixando o carro sair lateralmente pouco antes da curva. A fim de me certificar que eu provocaria o acidente durante a volta certa, perguntei para a minha equipe por diversas vezes, através do rádio, para confirmar o número da volta, algo que não faria normalmente. Não me feri no acidente, nem ninguém.

Após as discussões com o Sr. Briatore e o Sr. Symonds a “estratégia do acidente” nunca foi discutida novamente. O Sr. Briatore discretamente disse “obrigado” após o final da corrida, sem falar mais nada. Não sei se alguém tinha conhecimento da estratégia no início da corrida.

Após a corrida, informei ao Sr. Felipe Vargas, amigo da família, o fato de que o acidente tinha sido intencional. O Sr. Vargas ainda informou meu pai, o Sr. Nelson Piquet, algum tempo depois.

Depois da corrida, vários jornalistas perguntaram sobre o acidente e me questionaram se eu havia feito de propósito, porque sentiram que era “suspeito”.

Na minha equipe, o engenheiro do carro questionou a natureza do incidente, porque achou incomum, e respondi que tinha perdido o controle do carro. Acredito que um engenheiro inteligente notaria que os dados de telemetria indicariam que o acidente foi causado de propósito, já que continuei acelerando, enquanto que o “normal” seria frear o mais rapidamente possível.

Declaração de Verdade:

Acredito e juro que os fatos citados nesta declaração são verdadeiros.

Este depoimento foi feito na sede da FIA em Paris, no dia 30 de julho de 2009, na presença do Sr. Alan Donnelly (chefe dos comissários da FIA), Sr. Martin Smith e Sr. Jacob Marsh (ambos investigadores da empresa Quest, mantidos pela FIA para ajudar na investigação). As notas foram tomadas pela Sra. Dondnique Costesec (Sidley Austin LLP).

Assinado:

Nelson Piquet Jr.

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20 Comentário(s)

  1. Nelsinho é um FRACO. Se ele não tivesse saído da F1, nunca ia ter revelado esses planos, o que mostra uma total falta de caráter. Caráter é uma coisa que não se abala, nem por estresse, nem por contrato, nem por nada. Fraco, covarde e sem caráter.

    Uma pena.

    @paulabio | Sep 10, 2009 | Responder

  2. Acabou a carreira dele na F1. Porém, em outra categoria menor, ainda existe alguma possibilidade.

    Thiago S. Rosa | Sep 10, 2009 | Responder

  3. Eu concordo. Ele não deixará de correr. Mas com certeza vai ser mais difícil andar sem um capacete pra se cobrir da vergonha.

    andersoncosta | Sep 10, 2009 | Responder

  4. Ao comentário da @paulabio, que foi perfeito, só acrescento mais dois adjetivos: ambicioso e burro. Mas sinceramente, nunca gostei do carater do Nelson Piquet e por isso, de nada me surpreende o mau carater do filho. Que aliás, imagino que deva ter ouvido todas essas palavras do próprio pai. Não porque fez o que não devia, mas sim, porque não soube fazer o que não devia.

    @anaclaudiabessa | Sep 10, 2009 | Responder

  5. pow! q fiasco… vergonha nacional

    Rafael Camargo | Sep 10, 2009 | Responder

  6. A pressão psicologia esta forte no Nelsinho, uma coisa é certa se ele ficasse calado ele ganharia mais e não queimaria a sua imagem, hoje ele só consiga correr em uma equipe se o pai dele bancar. Eu admiro a coragem do Nelsinho.

    claudemar | Sep 10, 2009 | Responder

  7. O que o pai dele conquistou com tanta garra, brigou (de fato) contra pilotos e equipes, empurrou sua Brabham sem gasolina para cruzar a linha de chegada, esse borra-botas desfaz…..
    Vergonha nacional….

    Ronaldo | Sep 10, 2009 | Responder

  8. Essa batida custou o título do Massa do ano passado
    Nelsinho tem é que ser banico do esporte junto com Briatore. Envergonhou o nome do pai que aparentemente não sabia de nada e só falou o que aconteceu depois que foi demitido. Uma vergonha.

    Ricardo César | Sep 10, 2009 | Responder

  9. Ele fez isso pois sabe que não tem mais chances como piloto de F1. O nome do pai dele não ajudou em nada, ele sempre foi um péssimo piloto.
    E agora ve-se que ele é uma péssima pessoa.

    CuriosoNet | Sep 10, 2009 | Responder

  10. Longe da confusão, que furo do Reginaldo Leme!

    Willian | Sep 10, 2009 | Responder

  11. Esse não volta mais .depois dessa vai ser difícil uma equipe aceitar um dedo duro …vai ter que correr na equipe do papai mesmo….

    guy camargo | Sep 11, 2009 | Responder

  12. Depois de "doping" no atletismo, "doping" no futebol, "doping" no judô, "doping" até no hipismo…… NÃO FALTA MAIS NADA.

    joão sampaio | Sep 11, 2009 | Responder

  13. Vejo falta de caráter dos 2 lados. Como a Renault mandou mesmo o Nelsinho bater o carro propositalmente para favorecer o Alonso é sinal de que é uma equipe competitivamente fraca e quer usar de malandragem para obter resultados. Como o Nelsinho acatou mesmo tal ordem é sinal de que ele é um irresponsável que colocou a própria vida em risco e a vida de outros pilotos, e o pior de tudo que ainda é vingativo, porque foi demitido por não apresentar resultados favoráveis e decidiu contar toda a armação para a FIA no intuito de prejudicar a Renault. Na boa, Nelsinho é mimado pelo papai milionário, acha que por causa do nome do pai erdou ou tem talento acima da média, com tudo isso conseguiu demonstrar atitudes que fazem dele um péssimo profissional, ou seja, quem vai querer contratá-lo? Veremos ai mais pra frente como termina essa novela mexicana que tem se tornado a F1…

    Marcus Vinicius | Sep 11, 2009 | Responder

  14. Quam assiste a F1 sabe que este foi apenas mais uma das milhares de "maracutaias" que existem por lá… Nelsinho, aqui na empresa onde trabalho estão contratando motoristas, venha sem curriculo que vc. tem chance e guiar um BUSÃO…

    snakes | Sep 11, 2009 | Responder

  15. Se por um lado ele demonstrou total fraqueza emocional em aceitar cometer tal delito, por outro, escancarou toda a podridão que já se suspeitava pairar sobre o Flávio Briatore.
    Se forem defenestrado da F1, não farão nenhum falta.

    Sidewinder | Sep 11, 2009 | Responder

  16. Nelsinho é um frouxo, lamentável…

    marcos | Sep 11, 2009 | Responder

  17. "Admira a coragem" do Nelsinho??? Cara, o que ele menos teve foi coragem! Coragem teria sido ele peitar o Briatore e negar-se a tomar uma atitude tão suja e anti-desportiva como a que tomou, pensando unicamente em se manter na equipe e/ou ganhar mais dinheiro. Nelsinho foi, isso sim, um puta dum covarde e mau caráter, e arruinou a própria carreira – ao menos em qualquer categoria com um mínimo de seriedade.

    Gustavo | Sep 13, 2009 | Responder

  18. dizem que Nelson Piquet(o pai) é um gênio dentro das pistas e um canalha fora delas;já seu filho, Nelsinho ,ao aceitar esta vigarice pondo a vida de outros pilotos em risco, seguramente está provando ser um canalha dentro e fora das pistas; trata-se de um caso de "aperfeiçoamento" genético…

    pedro | Sep 13, 2009 | Responder

  19. Lamento muito tudo isso. Porque agora vão pedir a cabeça do guri sem analisar os fatos friamente. O cara era empregado como o era o Rubinho quando freiava pro Schumacher vencer. Há muita diferença entre os dois fatos? Não creio. Espero sinceramente que ele tenha vida na fórmula 1 novamente, pois talento tem. É só observar o novo pupilo do Briatore (grosjean), que apesar de ser chamado de fera, faz ainda pior que o Piquet Jr.

    Luciano Maringá | Sep 13, 2009 | Responder

  20. quando o patrão manda!!! ou voce faz ou ta na rua…
    se faz !e deu merda voce ta na rua tambem!!!!
    piquet não teve opção e fazer ou fazer…
    e outra coisa logo logo ele volta e por cima….
    e esse papo de vergonha é só para POBRE!!!!!!!!!!!!!!!!
    RICO E BEM SUCEDIDO NÃO PECISA TER VERGONHA!!!
    É SÓ VER LULA.,SARNEY,EDIR MACEDO,FAMILIA RENASCER ONDE KAKA APÓIA,COLOR,ETC….
    piquet volta ganha corrida e o galvão ainda vai mandar tocar o PAM PAM PAM….
    É ISSO AI MOÇADA FUIIIIIIIIIIIIIII……….

    marcelo | Sep 16, 2009 | Responder

1 Trackback(s)

  1. Sep 11, 2009: from Links Legais da Sexta Feira | Autozine

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