18/06/2009
Fota e FIA não chegam a um acordo. O que isso muda na minha vida?
“Os desejos da maioria das equipes foram ignorados. Além disso, dezenas de milhões de dólares dos times foram retidos pelo detentor dos direitos comerciais desde 2006. Apesar disso e da ausência de um ambiente favorável a um compromisso, a Fota genuinamente procurou esse compromisso. Ficou claro, assim, que as equipes não podem continuar a assumir tal compromisso relativo aos valores fundamentais do esporte, e declinaram de alterar suas inscrições condicionais para o Campeonato Mundial de 2010”.
Acabou de sair nos grandes portais trechos do comunicado que a FOTA, a associação das equipes de F-1, emitiu hoje. Resumidamente, as equipes vão se separar da FIA e ter um campeonato próprio em 2010. A novela que rolou muitos dias em relação ao teto orçamentário da categoria chega ao fim, num desfecho inesperado até então e histórico para o automobilismo mundial.
O comunicado foi assinado por Ferrari, McLaren, BMW, Renault, Toyota, Red Bull, Toro Rosso e Brawn. Williams e Force India tinham fechado antes com a FIA o acordo de teto orçamentário, mas com essa decisão provavelmente vão se juntar aos dissidentes. Foram as duas únicas equipes que assinaram a inscrição para o mundial de 2010.
Ainda é cedo pra saber se isso é definitivo. Podem rolar processos, embates na justiça. Mas a decisão já está tomada e a data limite para exibir a relação de times seria nesta sexta-feira (19). A F-1 como conhecemos deixará de existir no ano que vem, pois não existe mais a vontade das equipes grandes de permanecer no campeonato.
Essa briga tem um motivo: gasto de dinheiro. Em época de crise, a FIA quer limitar os orçamentos e mostrar que está apertando o cinto, e com isso trazer renovação de equipes. Mas as equipes veteranas, antes de gastonas, tem um preceito: desenvolvimento de tecnologia. Elas precisam de aporte financeiro para não só disputar corridas, mas investir em avanços tecnológicos que sirvam não só para os carros de corrida, mas também como laboratório para o que nossos carros vão ter nos próximos anos. Como ficaria uma categoria com equipes tão díspares? E pior ainda, com limite de gastos. Existe uma perspectiva de diminuição de gastos, mas seria decrescente e com mais tempo pra acontecer, questão de anos.
O que pode acontecer de fato: as equipes dissidentes formariam um campeonato monoposto novo, e a FIA remodelaria a F-1 que sobrou para ela, com Williams, Force India e várias equipes que demonstraram interesse em entrar na categoria em 2010, como Campos, USGP, Prodrive-Aston Martin, Brabham e Litespeed. Seriam dois campeonatos completamente diferentes, com os veteranos numa categoria e todo esse pessoal novo em outra. Na teoria, Max Mosley e Bernie Ecclestone acham que a F-1 sobrevive com qualquer equipe em pista. Na prática, ninguém sabe.
Esse campeonato novo não seria pouca coisa, com Ferrari, McLaren e o baile todo atrás. Já sairia com muito destaque, mas correndo pra garantir direitos de exibição. Afinal, corrida hoje não é só pra arquibancada ver. Vejo essa nova categoria se formando aos trancos em 2010, mas com platéia garantida. As maiores torcidas estão desse lado.
Nós, brasileiros, teríamos que rezar pra alguma emissora comprar os direitos dessa nova categoria, pois a negociação que a Globo tem para transmitir a F-1 é direto com a FIA. Nos sobraria a F-1 reformulada, com 80% de equipes que não conhecemos. O que pode ser bom. Ou ruim.
Nada está certo ainda, e este post pode ficar datado rapidamente. Mas como opinião pouca é bobagem… Acho que a gente tem a ganhar com essa decisão. A F-1 hoje é cercada de glamour e ostentação, e isso tem afastado cada vez mais pessoas dos autódromos. A última corrida da Turquia foi um exemplo. Quantas cadeirinhas brancas vazias você contou lá? Eu mesmo, por mais que goste, não consigo gastar 400 pilas pra ver uma corrida sentado num tablado de madeira que treme e cujo lugar você tem que garantir às 2 da manhã. É desumano e não vale o ingresso. Ao contrário de uma Nascar ou de uma IRL, que podem ser campeonatos regionais, mas cujas corridas sempre tem o entretenimento necessário e justo para quem paga ingresso.
Talvez com esses desdobramentos as equipes, sejam na F-1 ou nesse novo campeonato, se concentrem mais na disputa e no desenvolvimento da categoria focando quem realmente interessa: o público.
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Ricardo César
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http://www.cafecomf1.com Thiago Raposo
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http://techbits.com.br Alexandre Fugita
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Ricardo César












































