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Fota e FIA não chegam a um acordo. O que isso muda na minha vida?



“Os desejos da maioria das equipes foram ignorados. Além disso, dezenas de milhões de dólares dos times foram retidos pelo detentor dos direitos comerciais desde 2006. Apesar disso e da ausência de um ambiente favorável a um compromisso, a Fota genuinamente procurou esse compromisso. Ficou claro, assim, que as equipes não podem continuar a assumir tal compromisso relativo aos valores fundamentais do esporte, e declinaram de alterar suas inscrições condicionais para o Campeonato Mundial de 2010”.

Acabou de sair nos grandes portais trechos do comunicado que a FOTA, a associação das equipes de F-1, emitiu hoje. Resumidamente, as equipes vão se separar da FIA e ter um campeonato próprio em 2010. A novela que rolou muitos dias em relação ao teto orçamentário da categoria chega ao fim, num desfecho inesperado até então e histórico para o automobilismo mundial.

O comunicado foi assinado por Ferrari, McLaren, BMW, Renault, Toyota, Red Bull, Toro Rosso e Brawn. Williams e Force India tinham fechado antes com a FIA o acordo de teto orçamentário, mas com essa decisão provavelmente vão se juntar aos dissidentes. Foram as duas únicas equipes que assinaram a inscrição para o mundial de 2010.

Ainda é cedo pra saber se isso é definitivo. Podem rolar processos, embates na justiça. Mas a decisão já está tomada e a data limite para exibir a relação de times seria nesta sexta-feira (19). A F-1 como conhecemos deixará de existir no ano que vem, pois não existe mais a vontade das equipes grandes de permanecer no campeonato.

Essa briga tem um motivo: gasto de dinheiro. Em época de crise, a FIA quer limitar os orçamentos e mostrar que está apertando o cinto, e com isso trazer renovação de equipes. Mas as equipes veteranas, antes de gastonas, tem um preceito: desenvolvimento de tecnologia. Elas precisam de aporte financeiro para não só disputar corridas, mas investir em avanços tecnológicos que sirvam não só para os carros de corrida, mas também como laboratório para o que nossos carros vão ter nos próximos anos. Como ficaria uma categoria com equipes tão díspares? E pior ainda, com limite de gastos. Existe uma perspectiva de diminuição de gastos, mas seria decrescente e com mais tempo pra acontecer, questão de anos.

O que pode acontecer de fato: as equipes dissidentes formariam um campeonato monoposto novo, e a FIA remodelaria a F-1 que sobrou para ela, com Williams, Force India e várias equipes que demonstraram interesse em entrar na categoria em 2010, como Campos, USGP, Prodrive-Aston Martin, Brabham e Litespeed. Seriam dois campeonatos completamente diferentes, com os veteranos numa categoria e todo esse pessoal novo em outra. Na teoria, Max Mosley e Bernie Ecclestone acham que a F-1 sobrevive com qualquer equipe em pista. Na prática, ninguém sabe.

Esse campeonato novo não seria pouca coisa, com Ferrari, McLaren e o baile todo atrás. Já sairia com muito destaque, mas correndo pra garantir direitos de exibição. Afinal, corrida hoje não é só pra arquibancada ver. Vejo essa nova categoria se formando aos trancos em 2010, mas com platéia garantida. As maiores torcidas estão desse lado.

Nós, brasileiros, teríamos que rezar pra alguma emissora comprar os direitos dessa nova categoria, pois a negociação que a Globo tem para transmitir a F-1 é direto com a FIA. Nos sobraria a F-1 reformulada, com 80% de equipes que não conhecemos. O que pode ser bom. Ou ruim.

Nada está certo ainda, e este post pode ficar datado rapidamente. Mas como opinião pouca é bobagem… Acho que a gente tem a ganhar com essa decisão. A F-1 hoje é cercada de glamour e ostentação, e isso tem afastado cada vez mais pessoas dos autódromos. A última corrida da Turquia foi um exemplo. Quantas cadeirinhas brancas vazias você contou lá? Eu mesmo, por mais que goste, não consigo gastar 400 pilas pra ver uma corrida sentado num tablado de madeira que treme e cujo lugar você tem que garantir às 2 da manhã. É desumano e não vale o ingresso. Ao contrário de uma Nascar ou de uma IRL, que podem ser campeonatos regionais, mas cujas corridas sempre tem o entretenimento necessário e justo para quem paga ingresso.

Talvez com esses desdobramentos as equipes, sejam na F-1 ou nesse novo campeonato, se concentrem mais na disputa e no desenvolvimento da categoria focando quem realmente interessa: o público.

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6 Comentário(s)

  1. “Um passo atrás e outro para frente”

    No começo do ano eu escrevi aqui no blog um texto que falava da necessidade da FIA dar um passo atrás, para conseguir dar um passo a frente.
    http://www.velocidade.org/2009/02/24/formula-1-um-passo-para-atras-e-outro-para-frente/
    Citei como exemplo temporadas da passadas, como na década de 50 quanto a F1 chegou com carros de F2 ao invés de F1, ou nos anos 80 quando abandonou os motores turbo e voltou a correr de motor aspirados.
    As constantes noticias de que algumas montadoras estavam revendo seu orçamento para ver se continuavam na F1, demonstrava que algo precisava ser feito.
    A Ferrari nunca foi uma ameaça, ao contrário de Mercedes, BMW, Renault que já entraram e saíram da F1 antes e da Toyota que desde que entrou na F1 não conseguiu resultados expressivos. Depois da crise mundial até a equipe japonesa pensou em seguir o caminho da Honda sua coe irmã nipônica
    Algo precisava ser feito para atrair novas equipes afim de salvar a categoria caso as montadoras saíssem, só que a FIA não precisava dar um chute no próprio pé.
    Primeiro resolveu criar para 2010 um campeonato com duas regras, uma regra para quem concordasse com o teto orçamentário de 40 milhões de Euros e, outra para quem estourasse esse orçamento.
    A Ferrari reclamou e ai a FIA declarou que a F1 sobreviveria sem a Ferrari.
    Não deu valor a tradição da categoria. Mesmo que Renault, BMW, Toyota e Mercedes saíssem, era preciso preservar Williams, Ferrari e Mclaren mesmo sem Mercedes.
    A F1 há muito tempo deixou de ser um esporte de carro de corridas onde o que mais importa é corrida. Isso ficou claro ao longo do tempo com temporadas chatas, sem ultrapassagens. Um absurdo de dinheiro gasto para uma categoria que nem era a mais rápida dentre os campeonatos de mono postos.
    Para se ter uma idéia, o ultimo carro da F.Cart aqui no Brasil conhecido de F.Mundial andava no mesmo segundo que um carro de F1. Com a diferença de que um carro da F.Cart custava em torno de 10 milhões de dólares, contra 300 milhões da F1. A Cary era um campeonato que proporcionava muito mais espetáculo na pista que a F1. Só não vingou por que americano gosta de ver americano ganhando, e de preferência em seu país. A F Cart tentou sair das fronteiras de “Tio San” e acabou perdendo patrocínio e falindo.
    Quarenta milhões de euros é sim uma quantia acertada, a Braw provou esse ano que pode sim ganhar um campeonato sem gastar os milhões de Mclaren e Ferrari. Mas o que não dá para aceitar é um campeonato com duas regras, com falsas Brabham, Lótus e March. Se for para ter um campeonato com duas regras, então é melhor criar duas categorias.
    Com relação ao futuro próximo, a F1 sai enfraquecida assim como saiu a F.Indy quando as equipes principais da Cart á abandonaram em 1996. Mas a de se lembrar que pelo retrospecto e BMW, Renault e Mercedes e Toyota, dos boatos de que elas poderiam sair da F1 devido o alto custo, acho difícil que esse novo campeonato vingue por muito tempo. No Máximo cinco anos e depois as montadoras que não resolverem abandonar o automobilismo vão tentar uma reaproximação com a FIA.
    Fica difícil de entender um racha das montadoras por elas reclamarem que o teto orçamentário estava muito baixo. Se todos mês vem noticia de que uma ou outra pode sair devido ao alto custo da categoria.
    A única justificativa é essa teimosia da FIA em criar novas regras
    Basta a FIA repensar urgentemente suas estratégias, pois senão terá tempos tenebrosos, corre o risco de em seu aniversário de 60 anos, se transformar em uma segunda divisão do automobilismo.
    Ao contrario das outras montadoras, Ferrari e Mclaren não brigam por dinheiro e sim por um campeonato de regras mais claras, e se a FIA quiser se salvar tem que urgentemente olhar para essas duas equipes e repensar sua maneira de pensar.
    Abraço a todos
    Ricardo César

    Ricardo César | Jun 19, 2009 | Responder

  2. Parabéns pelo post…foi sem dúvida o melhor que já li neste blog (não que não tenha bons, mas este realmente ficou excelente)

    Thiago Raposo | Jun 19, 2009 | Responder

  3. Ricardo, muito bom também o seu comentário…
    Isto mostra que com validade ou não do diploma, os bons sempre se sobressairão…

    Thiago Raposo | Jun 19, 2009 | Responder

  4. Bom, eu acho que a imposição de limites não é boa para a F1 já que como você mesmo disse as pistas são o laboratório para inovações que futuramente estarão em nossos carros.

    Gostei do texto pois aponta os dois lados da questão.

    Alexandre Fugita | Jun 19, 2009 | Responder

  5. Tudo pela competição!

    Mundo Drive | Jun 19, 2009 | Responder

  6. Alexandre
    Sempre achei cascata essa história das montadoras de que a F1 é um laboratório para inovações futuras para os carros de rua.
    Sempre se usou essa desculpa para justificar os grandes gastos da F1, mas vejamos:
    A suspensão ativa foi desenvolvida pela Williams que começou o projeto com motores Honda e finalizou com motores Renault. O controle de tração começou a ser desenvolvido pela McLaren de motor Honda que continuou a desenvolve-lo ao longo dos anos 90 até á chegada dos motores Mercedes.
    A marcha nos volantes que quando surgiram na F1 tiveram seu desenvolvimento inicial pela Ferrari foi a única montadora permanente da F1.
    Aos carro de passeio não são colocados aletas laterais. Os carros não são feitos para serem grudados ao chão baseados na passagem de ar.
    Todos os desenvolvimentos já foram feitos o que se tem hoje em dia é o aprimoramento. E eles sempre partiram dos garagistas e não das montadoras. Cada montadora tem o seu laboratório de desenvolvimento com os seus test drives capazes desenvolver coisas para os carros de passeio sem precisar da pista.
    E isso fica claro quando as montadoras reiteram que desejam manter o regulamento. Agora seria a oportunidade para se liberar a suspensão ativa, o controle de tração e toda a tecnologia embargada pela FIA. Mas isso não é de interesse das montadoras
    A Ferrari ficou anos sem ganhar e quando voltou, passou a gastar milhões para se manter no topo. A McLaren acostumada com os títulos das décadas de 80 e 90 não poupou esforços e também elevou o alto custo. A Williams só não seguiu o mesmo caminho por que perdeu os mostores BMW e a parceria que tinha com uma montadora.
    A única tecnologia ao longo da história trazida pela F1 aos carros que surtiram por causa das corridas foi a dos freios, as outra surgiriam com ou sem corridas.
    Todo esse racha acontece por que a FIA e a Fom teimam em bater de frente com as equipes e criar um campeonato com dois regulamentos. Cabe a eles a voltar atrás, por que se não 2010 corre o risco de ter dois campeonatos enfraquecidos. Um sem as principais equipes, e outra com as principais equipes hoje unidas, mas que a partir do ano que vem estarão competindo entre sim, todas afim de ganhar sem ter ninguém para controlaras.
    Continuo dizendo que o campeonato da Fota se começar não dura nem cinco anos, mas até lá já terá causado danos no que sobrar da F1, como aconteceu com a F.Indy que um dia rivalizou com a F1 mas que depois do racha nunca mais voltou a ser a mesma, mesmo buscando a reunificação.

    Ricardo César | Jun 19, 2009 | Responder

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