10/04/2009
GP daMalásia: com carimbo e assinatura do Sr. Bernie Ecclestone
Nelson Piquet uma vez falou que a Ferrari não se acertava porque o comendador Enzo Ferrari estava gagá. Causou um alvoroço na imprensa italiana, mas mesmo com seu jeito duro de falar, Piquet estava certo. O comendador já não tinha mais pulso para comandar a equipe que se perdia em anos de má administração e carros frustrantes.

O mesmo aconteceu com Balestre, principalmente depois de favorecer Prost em detrimento a Senna em 1989 e permitir a vingança, na mesma moeda, do brasileiro no ano seguinte.
Agora é a vez de Bernie Ecclestone, um ex-dono de equipe na qual conseguiu dois títulos na década de 80 e que, ao assumir o comando da FIA, provocou uma revolução na categoria. Principal responsável por acabat com a época romântica da F1, foi o responsável por fazer da categoria um evento tão grandioso quanto a Copa do Mundo ou as Olimpíadas. Mas depois de anos na F1 seu prazo de validade venceu. Ecclestone, ex-dono de equipe, esqueceu como se trabalha em equipe. E logo agora quando todos se uniram para combater uma crise mundial. Em uma época difícil onde uma montadora já abandonou a categoria e outras ameaçam deixar, Sr Ecclestone tenta se impor. Primeiro foi com um regulamento de medalhas, mentindo para os dirigentes da FIA, onde afirmava que tinha conversado com os dirigentes das equipes e eles tinham concordado. Pior, mesmo sendo derrotado prometeu que ano que vem o sistema será implantado.

Depois marcou corridas ao entardecer para que o horário agradasse os interesses de países europeus. Se esqueceu dos pilotos que correm com o rosto para o sol. Se esqueceu das equipes que sofreram com as baixas temperaturas do final do dia da Austrália. Se esqueceu de quem paga, e muito caro, para assistir a corrida. Do público que vai ao autódromo e que só assistiu metade da corrida domingo mesmo pagando para vê-la inteira. Quem comprou o ingresso deveria processar a FIA, pois não se trata de um problema causado por contratempos da natureza e sim pela ignorância de um homem que se acha Deus. Pior, essa semana ele declarou não ver problemas em correr no final do dia. Na Austrália, o problema foi abafado pela vitória da Brawn, mas para quem viu a câmera on board, ficou claro que em momentos o sol cegava a trajetória da pista.
Está na hora de um Jean Todt ou um Flávio Briatore assumir o comando. Alguém que esteja hoje em dia próximos das equipes, como Bernie esteve um dia. Falando agora da corrida, hoje não vou fazer um resumo porque a Babi já o fez e bem feito, mas vou fazer algumas considerações com relação a F1 atual.

O difusor, tanto questionado, deixou de ser algo legal ou ilegal para virar uma disputa de dinheiro. Está claro que ele faz parte do regulamento, mas mexer na parte traseira do carro significa redesenhar mais de 40% do projeto original e um custo adicional de mais de 20 milhões de dólares. É ai que começa a briga. Ferrari, McLaren e Renault, montadoras, não querem gastar mais e questionam o uso do difusor para que as pequenas garagistas gastem o dinheiro que não têm para refazerem seus carros em prol de um equilíbrio inexistente. Tomara que a FIA não permita.
Analisando o campeonato com as duas corridas que aconteceram até agora, a melhor equipe é a Brawn, com difusor, mas a segunda melhor equipe da temporada é a Red Bull, sem difusor, que só não deu mais trabalho à Brawn porque Vettel, o nome da equipe, estava sofrendo uma punição.
Se proibirem Brawn, Toyota e Williams de usarem o difusor, McLaren, Ferrari e Renault não serão as melhores equipes. Pelo contrário, com a permissão do difusor, essas montadoras ganharam a possibilidade de arrumar os desastrosos carros desenvolvidos esse ano.
Ter um carro bom não é uma questão de difusor e sim de engenheiro. Nesse quesito Ross Brawn e Adrian Newey fazem a diferença com ou sem difusor. A McLaren além de um carro que sacrifica os pilotos, que lutam para segurá-lo no braço, ainda sofre com a confiabilidade. Já a Ferrari parece ter feito de tudo nessa vida, nos surpreende com mais uma das suas. Além de um carro que não possui velocidade necessária, se enche de soberba achando que construiu uma nova F2004. Até tem uma nova F2004 na categoria, mas ao invés de ser vermelha ela é branca com detalhes em preto e amarelo. Se arriscar dando apenas quatro voltas no Q1 baseando-se em tempo de treinos livres foi, no mínimo, burrice. Pois a Ferrari ignorou o fato de que quando mais carros andam na pista, mais emborrachada e rápida ela fica. Coisa de iniciante. Pior foi mandar Raikkonen com pneu de chuva para a pista seca.
Parece que com a volta dos pneus slicks, a equipe trouxe de volta a desorganização que existia antes de Jean Todt, Schumacher e sua trupe, que vieram da Benetton. Desse jeito vai voltar para os anos sombrios de fila.
A Renault, outra que se perdeu, não possui o carro mais lento da F1, mas possui o pior carro para se pilotar. Nelsinho não é nenhum gênio, mas é nítido o quanto ele sofre por andar no limite no treino, já que está pressionado. O mesmo aconteceu com Alonso na corrida, com tantas rodadas e escapadas da pista. Nunca vi um carro tão arisco e que saia tanto de traseira. Assim não tem jeito.
Das montadoras, a Toyota é a que está se saindo melhor, mas ainda não sei se foi ela que evoluiu ou se foi Ferrari, Renault e McLaren que andaram para trás. A BMW não tem o melhor carro, mas mostrou nessas duas corridas que foi a equipe que melhor entendeu o regulamento e a que possui as melhores estratégias, garantindo um segundo lugar para Heidfeld na Malásia e teria feito o mesmo com Kubica na Austrália, se não fosse Vettel.
Já a Williams tem um bom carro mas se perde nas estratégias e, assim como a Brawn, não goza de muito dinheiro. Force India, assim como McLaren, não consegue tirar proveito de seu motor Mercedes, embora não tenha como comparar o orçamento das duas. Toro Rosso ainda não se adaptou aos motores Ferrari e às vezes me pergunto onde foi parar o talento de Bourdais. Ou sumiu ou a antiga F. Mundial, da qual ele foi tetra-campeão, estava realmente fraca.

Para terminar vou comentar algo que me lembrei ao saber essa semana de que Schumacher foi o responsável pela estratégia da Ferrari no dia da corrida. Schumacher correu toda sua carreira na F1 sob a tutela de Ross Brawn e aprendeu com ele tudo sobre estratégia. Era o gafanhoto e Ross, o mestre. Pois bem, o mestre teve a oportunidade de colocar pneus de chuva no carro de Barrichello na hora certa, o que possibilitaria ao brasileiro até mesmo a chance de vitória, pois faria um pit a menos e ganharia cerca de 30s em relação a Button. Poderia, mas não fez. Já o gafanhoto resolveu que Raikkonen deveria colocar pneus de chuva com pista seca fazendo seu piloto esfarelar os pneus. Errou o mestre e errou o gafanhoto, o que acabou mudando a história da corrida. Sorte da Brawn que o carro é de outro mundo, o que lhe garantiu mais uma vitória. Schumacher não teve a mesma sorte, já que juntando esse erro ao de não fazer Massa voltar na pista no sábado deixou a equipe sem pontos em duas corridas na temporada.
Não vou distribuir estrelas de Ótimo, Bom, Regular e Péssimo para essa corrida, pois ela foi atípica, onde entre mortos e feridos se salvaram todos, menos os desrespeitados torcedores.
Vai só uma estrela de péssimo para FIA, para que ela e seu presidente passem a respeitar o resto do mundo porque a F1 não é só feita para a Europa.
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http://www.vintagef1.blogspot.com/ Ernesto
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http://www.velocidade.org Bárbara Franzin
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