05/12/2008
E a crise financeira chegou à Formula 1 (ou já estava lá e ninguém sabia)
Aí começa a cair a fileira dos dominós. Por conta disso Rubens Barrichello, Bruno Senna e Lucas Di Grassi poderiam riscar suas participações na F1 ano que vem: a Petrobras, que tinha encerrado a parceria com a Williams para fornecer combustível pra Honda, se vê numa sinuca de bico e pode pedir pra sair também. E não se surpreendam se outra montadora anunciar algo parecido nas próximas semanas (Toyota???). Fora que serão quase mil pessoas desempregadas com o fechamento da Honda. Que belo Natal elas terão.
Por que isso acontece? Acabou a época de ouro e mel? Não é bem assim, Se você se lembra, já começamos 2008 sem uma equipe, a Super Aguri. A Renault sempre caça um dinheirinho a mais pra permanecer na F1. Custa caro manter essa brincadeira. Quem acompanha automobilismo sabe o circo que é a Fórmula 1. Motorhomes caríssimos, eventos de luxo, festas, as mulheres mais lindas. Tudo tem que ser muito expansivo pra demonstrar a força e o status da categoria.
Aí entramos num cenário de crise mundial, que não é pouca coisa. Basicamente, um estouro de cessão de crédito aconteceu nos EUA que se replicou pra todo o mundo. Se mais pessoas devem, também cresce o número de inadimplentes. Se esses inadimplentes devem para grandes imobiliárias, que por sua vez recorrem a grandes bancos pra tapar o buraco… já deu pra entender um pouquinho: todo mundo cai junto. E aí, meu amigo, você vai emprestar dinheiro de novo pra quem você não confia mais?
Inevitável que isso impacte a Fórmula 1, hoje financiada por corporações e montadoras de altíssimo porte. Flavio Gomes e Fabio Seixas bem lembraram as palavras de Max Mosley anos atrás.
“Para as fabricantes de carros, F-1 é uma ação de marketing como qualquer outra. Quando elas decidirem que não vale mais a pena ficar, irão embora e ficaremos de mãos abanando”
Presidentes de companhias não defendem seus interesses, e sim o dos acionistas, que investem na empresa e querem respostas rápidas sobre o futuro do seu dinheiro. Os acionistas podem até decidir se a empresa vai ser vendida ou não, se o presidente permanece ou não. Takeo Fukui, presidente da Honda, é apenas o porta-voz de seus acionistas. Tomar uma decisão dessas é dar uma resposta a eles do tipo “calma, identificamos um problema e tomamos providências”. É absolutamente normal isso, é do capitalismo. Se torna triste agora porque a Honda não é a única empresa a fazer isso no mundo dos negócios. Nos últimos dias a maioria das corporacões tem anunciado quedas nos lucros e redução nas previsões para 2009, quando não cortes e operações de fusão para sobreviver.
Mas a crise já rondava a categoria. Poucas equipes podem se dar ao luxo de investimentos crescentes, como a Ferrari, uma das remanescentes das escuderias antigas que se mantém firme e forte. O restante já tinha que camelar muito por investimento para aperfeiçoamento de carros e para tentar se manter no grid. A crise financeira só adiantou o momento em que essa bolha ia estourar.
E o primeiro corte financeiro possível numa empresa é na comunicação, geralmente considerada secundária. E aí quando confirmamos as palavras de Mosley e percebemos que montadoras entraram na F1 só por uma questão de marketing institucional, dá até medo pensar no que pode acontecer daqui pra frente com a categoria. Pode ser que seja bom, pois aí daria margem para equipes menores com pessoas entusiasmadas pelas corridas e a Honda ainda pode ser comprada sabe Deus por quem. Pode ser que seja ruim, pois um espetáculo que perde recursos perde parte da magia que o faz assim. Agora o que podemos fazer é acompanhar as cenas dos próximos capítulos. Porque essa história não acaba aqui. Mesmo.
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Fausto Cabral
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José Pedro Morgado
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valter
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Welington Santana
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jose carlos












































