05/12/2008

E a crise financeira chegou à Formula 1 (ou já estava lá e ninguém sabia)

E hoje, durante a madrugada, tivemos o fatídico anúncio de que a Honda não fará mais parte do panteão da Fórmula 1. O japa presidente da companhia, com uma carinha muito tristonha, anunciou que a Honda foi abalada pela crise e precisa otimizar seus recursos, o que se traduziu para eles, em sair do automobilismo de ponta e sair do motociclismo também (o que ainda não foi confirmado). A Honda destinava a sua escuderia mais de US$ 541,4 milhões (R$ 1,4 bilhão). Agora estão à venda.

Aí começa a cair a fileira dos dominós. Por conta disso Rubens Barrichello, Bruno Senna e Lucas Di Grassi  poderiam riscar suas participações na F1 ano que vem:  a Petrobras, que tinha encerrado a parceria com a Williams para fornecer combustível pra Honda, se vê numa sinuca de bico e pode pedir pra sair também. E não se surpreendam se outra montadora anunciar algo parecido nas próximas semanas (Toyota???). Fora que serão quase mil pessoas desempregadas com o fechamento da Honda. Que belo Natal elas terão.

Por que isso acontece? Acabou a época de ouro e mel? Não é bem assim, Se você se lembra, já começamos 2008 sem uma equipe, a Super Aguri. A Renault sempre caça um dinheirinho a mais pra permanecer na F1. Custa caro manter essa brincadeira.  Quem acompanha automobilismo sabe o circo que é a Fórmula 1. Motorhomes caríssimos, eventos de luxo, festas, as mulheres mais lindas. Tudo tem que ser muito expansivo pra demonstrar a força e o status da categoria.

Aí entramos num cenário de crise mundial, que não é pouca coisa. Basicamente, um estouro de cessão de crédito aconteceu nos EUA que se replicou pra todo o mundo. Se mais pessoas devem, também cresce o número de inadimplentes. Se esses inadimplentes devem para grandes imobiliárias, que por sua vez recorrem a grandes bancos pra tapar o buraco… já deu pra entender um pouquinho:  todo mundo cai junto. E aí, meu amigo, você vai emprestar dinheiro de novo pra quem você não confia mais?

Inevitável que isso impacte  a Fórmula 1, hoje financiada por corporações e montadoras de altíssimo porte. Flavio Gomes e Fabio Seixas bem lembraram as palavras de Max Mosley anos atrás.

“Para as fabricantes de carros, F-1 é uma ação de marketing como qualquer outra. Quando elas decidirem que não vale mais a pena ficar, irão embora e ficaremos de mãos abanando”

Presidentes de companhias não defendem seus interesses, e sim o dos acionistas, que investem na empresa e querem respostas rápidas sobre o futuro do seu dinheiro. Os acionistas podem até decidir se a empresa vai ser vendida ou não, se o presidente permanece ou não. Takeo Fukui, presidente da Honda, é apenas o porta-voz de seus acionistas. Tomar uma decisão dessas é dar uma resposta a eles do tipo “calma, identificamos um problema e tomamos providências”. É absolutamente normal isso, é do capitalismo. Se torna triste agora porque a Honda não é a única empresa a fazer isso no mundo dos negócios. Nos últimos dias a maioria das corporacões tem anunciado quedas nos lucros e redução nas previsões para 2009, quando não cortes e operações de fusão para sobreviver.

Mas a crise já rondava a categoria. Poucas equipes podem se dar ao luxo de investimentos crescentes, como a Ferrari, uma das remanescentes das escuderias antigas que se mantém firme e forte. O restante já tinha que camelar muito por investimento para aperfeiçoamento de carros e para tentar se manter no grid. A crise financeira só adiantou o momento em que essa bolha ia estourar.

E o primeiro corte financeiro possível numa empresa é na comunicação, geralmente considerada secundária. E aí quando confirmamos as palavras de Mosley e percebemos que montadoras entraram na F1 só por uma questão de marketing institucional, dá até medo pensar no que pode acontecer daqui pra frente com a categoria. Pode ser que seja bom, pois aí daria margem para equipes menores com pessoas entusiasmadas pelas corridas e a Honda ainda pode ser comprada sabe Deus por quem. Pode ser que seja ruim, pois um espetáculo que perde recursos perde parte da magia que o faz assim. Agora o que podemos fazer é acompanhar as cenas dos próximos capítulos. Porque essa história não acaba aqui. Mesmo.

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é jornalista e profissional de internet, tem 30 anos e lembra bem das corridas de F-1 dos anos 80 porque passavam antes dos Trapalhões.
  • Fausto Cabral

    Tragédia esperada há tempos, o último que sair apaga a luz.

  • José Pedro Morgado

    Olá barbara e a equipe do velocidade.org
    acho que essa atitude já era esperada, não por causa da crise mundial, como eles disseram, mas pela falta de velocidade que os carros japoneses/britânicos demonstraram durante duas temporadas.
    Os dirigentes pensaram que só pq conquistou uma vitória durante essa nova fase, que a honda pudesse crescer o suficiente.
    Na minha opinião, a desorganização da equipe junto com conflitos internos resultou nessa catastrofe.
    E pode ter certeza que em breve a toyota vai seguir o mesmo caminho.
    Nunca deu certo uma equipe com dois comandos, ou duas sedes.
    Uma pena que “três” brasileiros se envolveram nessa história toda.
    Barricehllo aposentado, Senna estreia adiada, Petrobras fora!!!!
    É só ver para crer o que vai acontecer até o GP da Austrália.

  • valter

    Parece que é a segunda vez que a Honda abandona a categoria como equipe própria e como fornecedora de motores já havia acontecido. Acho que os japoneses, seguros como são, saem logo, antes que estoure tudo e o prejuízo seja maior. Penso que no futuro a F1 será igual a Indy.

  • Welington Santana

    Espero que a F1 não seja igual a Indy…torço mto pra que isso não aconteça.

    Fiquei surpreso com a saída da Super Aguri no meio desse ano e agora da Honda…já era um sinal de que os japoneses não estavam tão bem assim. E fico mto triste pelo Rubinho. Ele não quer encerrar a carreira, mas terá que fazer isso caso não consiga uma vaga na Toro Rosso, sua última esperança.

    Penso que todo piloto, seja na F1 ou em qualquer outra categoria, quer encerrar a carreira correndo, declarando que tal GP vai ser sua última corrida, e não ser forçado a parar devido a venda de um time ou a falta de vagas no grid. É triste, mas torço pra que o Rubinho consiga uma vaga na Toro Rosso, apesar de ser mto difícil.

  • jose carlos

    olá ,chato ter que falar sobre isto mas,alguém já imaginou um domingo sem F1,no meu caso não teria motivação pra acordar de manhã e fazer o que eu mais adoro que é assistir do inicio ao fim tds GPs,ainda bem que isto é só um comentario,tenho fé que esta crise será passageira,até mais.