03/11/2008
Brasil: Hamilton campeão na ultima curva (2)
Não há outro título para essa decisão por isso resolvi manter o mesmo para essa análise. É preciso fazer uma análise imparcial mesmo que o coração esteja machucado e ainda inconformado com o rumo final que tomou essa decisão, afinal sou brasileiro, mas vamos lá.
Ontem me lembrei de um ditado chinês que era mais ou menos assim: pior do que não ter nada é ter tudo e de uma hora para outra acabar sem nada, pois quem não tem nada não sofre por algo que teria perdido.

Com cinco voltas para o final Massa não tinha nada, Hamilton já era campeão e a torcida brasileira sabendo que era um título difícil de ser conquistado faria festa apenas pela vitória e pela brilhante temporada realizada por Felipe. Mas não é que a duas voltas do final os “deuses” do automobilismo resolveram dar a Massa o gostinho de sentir que tinha tudo. Quando cruzou a linha de chegada, foi como campeão do mundo. Mas os mesmos deuses que deram também tiraram, e aí ficou aquele amargo sabor da perda, tanto para o piloto quanto para a torcida que não se conteve ao ver seu ídolo maior cair no choro no pódio.
Hamilton ultrapassou Glock na última curva e sagrou-se campeão, mas não foi na última curva que Massa perdeu o título. Foi em Mônaco quando perdeu dois pontos por causa de pneus errados, foi no Canadá quando não entrou combustível em seu carro, na Hungria quando o motor estourou a três voltas do final ou em Cingapura por culpa de uma mangueira. A verdade é que Hamilton também poderia ter perdido o título em detalhes, no mesmo Mônaco quando teve um furo do pneu, no mesmo Canadá quando bateu em Raikkonen na saída dos boxes, na Bélgica quando foi punido por tentar tirar proveito de uma chicane para ultrapassar Raikkonen ou até mesmo na Hungria quando também teve um pneu furado.
Hamilton foi campeão no detalhe e em um fator chamado “sorte” que o acompanhou durante toda a temporada. Sempre que algo acontecia com ele também acontecia com Massa, mas nem sempre quando algo acontecia com Massa, acontecia com Hamilton.
Foi um título justo, assim como seria se o campeão fosse o Massa, pois os dois foram os protagonistas da temporada, Massa venceu seis e Hamilton cinco, mas Hamilton fez sete poles contra seis de Massa. Esse foi o melhor campeonato que eu assisti desde 1986 com final brilhante.

Na corrida de hoje, além dos protagonistas, eu queria destacar a dinastia alemã. Logo na largada, o alemão naturalizado brasileiro Nelsinho Piquet, que já havia batido sozinho em Cingapura forçando Massa a ir ao pit com os outros pilotos e apavorando o mecânico que causou o acidente da mangueira, mal largou, rodou sozinho e logo disse adeus à corrida. Já Vettel foi brilhante, andou no mesmo ritmo de Felipe e não pensou duas vezes em ultrapassar Hamilton. Glock, ao arriscar manter o pneus de seco no molhado, lembrando Rubinho na Alemanha em 2000, por pouco não nos trouxe a alegria de ter um campeão do mundo de novo.
Mas com o pé d’água que caiu não dava pra fazer nada. Foi por pouco. A Toyota foi decisiva nessa corrida, Trulli errou quando não podia, tinha tudo para ser outro que terminaria na frente de Hamilton, mas como sempre falhou na corrida, sem falar na alemã BMW que ao contrário do que começou, terminou o ano melancolicamente. Alonso acertou em não trocar a Renault por ela, nas últimas nove corrida a Renault marcou mais pontos em sete. Agora é só esperar o ano que vem.
Vou definir as equipes através de * (Ótimo ****, Bom ***, Regular ** e Péssimo*)
FERRARI****: Deu a Felipe Massa um carro para vencer a corrida e foi premiada com o título do mundial de construtores. Pagou caro pelos erros da temporada, pois teve o melhor carro, mas não a melhor equipe. Raikkonen em terceiro não conseguiu acompanhar o ritmo de Alonso evitando assim a dobradinha para a equipe
BMW*: Sumiu nas duas últimas provas, sequer conseguiu terminar com seus pilotos na zona de pontuação, teve sorte que a Renault demorou para desenvolver seu carro se não perderia na classificação geral o posto de terceira melhor equipe da temporada. Só na classificação porque na pista foi superada pela Toro Rosso e pela Toyota terminado como a sexta força da temporada.
RENAULT***: É disparada a equipe que mais evoluiu na temporada e se manter Alonso dará muito trabalho ano que vem. Pena que conta com um piloto tão fraco como Nelsinho, que só se garantiu na equipe no ano que vem por um pedido de Bernie Ecclestone. Ah se Di Grassi tivesse no seu sobrenome Piquet ou Senna, pois merece muito mais estar na F-1 do que Piquet Jr ou Senna sobrinho. Alonso é simplesmente fantástico e provou nessas últimas etapas que ainda é um dos melhores, foi piloto que mais pontuou nas últimas quatro corridas.
RED BULL*: Coulthard se despediu da F-1 fazendo o melhor em toda a temporada, acertando outros pilotos na pista. Webber nada pode fazer com o fraco desempenho de seu carro, a equipe piorou e muito nas últimas corridas e foi sucumbida pela Toro Rosso. Os donos da equipe deveriam pensar seriamente se vale a pena prejudicar a carreira de Vettel trazendo ele para a matriz ou se não seria melhor investir na filial com motores Ferrari.
WIILIAMS*: O carro que começou aparentando ser o terceiro melhor do grid no início da temporada, não passou de uma enganação. Rosberg corre o risco de ver o bonde passar em sua vida e deixar de ser uma grande promessa para se tornar em um novo Button, um piloto que tinha tudo para ser um bom piloto, mas que sem carro não vingou. Até quando vai insistir em correr na Williams eu não sei, mas outros nomes estão aparecendo, precisa tomar cuidado. Nakajima foi inconstante, mas conseguiu terminar a corrida o que não é lá essas grandes coisas .
TOYOTA**: Foi uma das protagonistas da prova, pois teve em suas mãos, com seus dois pilotos, o destino de mudar a história do mundial, mas não conseguiu. Primeiro Trulli, que é sempre muito bom de treino, mas falha na corrida, errou quando estava na frente de Hamilton, ficou preso atrás de Fisichella e não pode fazer mais nada. Depois Glock, que vinha fazendo uma boa corrida e arriscou em terminar com pneus secos com pista molhada. A chuva ingrata que ficou forte na hora errada. Mesmo assim a equipe terminou a corrida com seus dois pilotos nos pontos, coisa que não acontecia há tempos.
TORO ROSSO***: Equipe sensação desse final de temporada junto com a Renault, deu mais um show em Interlagos. Outra vez com Vettel, que andou no mesmo ritmo de Massa, e no final não pensou duas vezes em ultrapassar Hamilton sem se importar com quem estava disputando o título. Bourdais vinha bem na disputa dos pontos, quando se perdeu e não conseguir ultrapassar Fisichella. Depois foi jogado para fora da pista por Trulli, que deveria ser punido, mas que passou batido pelos comissários. Independente disso não conseguir passar Fisico com uma Force India é algo imperdoável.
HONDA*: Triste final de carreira para Rubinho, nada pode fazer com um carro fraco e para piorar acabou atrás de seu companheiro de equipe, o também desmotivado Button. A Petrobras exige um brasileiro novo na equipe e aponta para Bruno Senna ou Nelsinho Piquet, pena que quem tem mais talento é Di Grassi. Ano que vem vida nova com um carro novo projetado por Ross Brawn, vamos ver se muda alguma coisa.
FORCE INDIA***: Fisichella terminou em último dos que completaram a prova e Sutil foi apenas o 16º. A equipe merece destaque, pois por várias voltas Fisico segurou Hamilton, andou em quinto e só não foi melhor por que a pista secou e aí não pode fazer mais nada. Mas na prova conseguiu ser um dos destaques. Sutil acho que ninguém viu.
MCLAREN*: Perdeu o mundial de construtores e por pouco não perdeu o de pilotos. Hamilton se manteve frio, calculando a posição certa para ganhar o título, que quase perdeu com a aparição do “Sobrenatural de Almeida”, sempre ele. Mas é inadmissível que a equipe não tenha dado toda a assistência para que Kovalainen buscasse a vitória. Até mesmo na estratégia dos treinos, quando ele deveria ter largado com menos combustível. Não era uma corrida para Hamilton buscar a vitória, mas a equipe poderia ter dificultado menos. “Kovalento” vem demonstrando ter tirado a sorte grande em estar na McLaren, pois não tem talento para isso. Acabou atrás de Alonso na classificação geral tendo em mãos o carro que tinha. Kovalainen será por anos o Rubinho do Hamilton e permanecerá lá, pois simplesmente não ameaça o número um da equipe, ao contrário de Alonso.

Obs: Como torcedor nós sempre procuramos achar um culpado na hora da derrota, eu por exemplo achei o meu, culpei São Pedro, o homem que controla a torneira do céu, que na ânsia de ajudar Massa mandou chuva nas últimas voltas, mas se distraiu com uma loira que ia adentrando os portões do céu esbarrando na torneira e provocando um enorme dilúvio na última curva da corrida. Mas o certo é que nesse fantástico campeonato não houve perdedores e sim vencedores, Hamilton que se tornou o campeão mais jovem da F-1 com méritos. Massa, que mostrou ao mundo merecer ser respeito correndo de igual para igual nessas últimas três temporadas com aqueles apontados pela mídia internacional como os melhores.
Kubica, que demonstrou um talento enorme assombrando o mundo chegando a liderar um campeonato com um carro inferior. Vettel, que mostrou em Monza e no Brasil que é o novo rei da chuva e vai dar muito trabalho para muita gente nos próximos anos. Alonso quando assumiu a McLaren ano passado fez com que ela voltasse a ser uma equipe campeã. Muitos duvidavam de seu talento e de que ele conseguiria fazer o mesmo na Renault. Alguém ainda duvida?
O maior vencedor dessa temporada fomos nós torcedores, analistas, telespectadores que assistimos a um campeonato do mais alto nível com belas disputas na pista, sem acusações fora delas e com o aparecimento de novas estrelas nessa constelação de pilotos encabeçadas por Hamilton e Massa, que tanto nos trouxeram alegrias no ano de 2008.
Classificação final do Mundial de Pilotos
1º – L. Hamilton 98
2º – F. Massa 97
3º – R. Kubica 75
4º – K. Raikkonen 75
5º – F. Alonso 61
6º – N. Heidfeld 60
7º – H. Kovalainen 53
8º – S. Vettel 35
9º – J. Trulli 31
10º – T. Glock 25
11º – M. Webber 21
12º – N. Piquet 19
13º – N. Rosberg 17
14º – R. Barrichello 11
15º – K. Nakajima 9
16º – D. Coulthard 8
17º – S. Bourdais 4
18º – J. Button 3
19º – A. Sutil 0
20º – G. Fisichella 0
21º – T. Sato 0
22º – A. Davidson 0
Classificação final do Mundial de Construtores
1º – Ferrari 172
2º – McLaren 151
3º – BMW-Sauber 135
4º – Renault 80
5º – Toyota 56
6º – Toro Rosso 39
7º – Red Bull 29
8º – Williams 26
9º – Honda 14
10º – Force India 0
11º – Super Aguri 0
Um abraço a todos e nos vemos em 2009,
Ricardo César













































Pingback: Velocidade » F1: O que esperar de Felipe Massa em 2011