14/09/2008
Monza: Quando a Ferrari perdeu e a Itália venceu
Corrida na Itália, em Monza, um dos palcos sagrados do automobilismo. Vitória de um piloto alemão, dirigindo para uma equipe italiana e uma sensação de nostalgia no ar. Afinal não era Schumacher e também não era a Ferrari. Mas sim um surpreendente Vettel, pilotando uma surpreendente Toro Rosso venceu praticamente de ponta a ponta na molhada pista italiana.
Essa corrida me fez lembrar uma outra de 22 anos atrás. Nesse mesmo circuito, em 1986, um piloto italiano de nome Teo Fabi, pilotando para uma pequena equipe italiana (na época a extinta Benetton) conseguiu a pole. Ele saiu reclamando, pois a torcida demonstrou-se frustrada por não ter sido a Ferrari, e declarou: “A Itália não é só a Ferrari”. Vamos ver o que dizem os jornais italianos amanhã, pois hoje teve festa no país.
Essa foi uma vitória muito interessante sobre alguns aspectos. Foi a primeira de um carro de Adrian Newey depois que ele saiu da McLaren, só que foi de um carro ultrapassado da equipe filial da Red Bull. Foi a vitória de um motor Ferrari em Monza desde 2006, quando a própria Scuderia ganhou pela última vez em casa, mas não da equipe Ferrari. E foi a primeira vitória de um alemão depois que Schumacher se aposentou. Podemos dizer então que essa foi a vitória de uma equipe que foi montada por outras.
Em segundo chegou Kovalainen, que de hoje em diante passa a ser chamado por esse analista que vos escreve de “Kovalento”. Sem duvida é o Rubinho da nova geração, ou pra não falar que pego no pé do Rubinho, é o novo Berger, que trabalhou para o Senna na época da McLaren. Nunca que ele vai ser mandado embora da equipe, pois não ameaça o primeiro piloto, acha que pode ganhar a qualquer momento, mas é muito lento. É só ver o que o Hamilton fez na prova com um carro igual que fica difícil admitir que ele tenha sido apenas segundo. Era pra ter ganho e com sobras.
Kubica se recuperou das últimas corridas e voltou ao pódio em terceiro, Alonso cumprindo seu objetivo de deixar a Renault em quarto nessa temporada chegou exatamente nessa posição e Heidfeld se recuperando de um mal começo de temporada chegou em quinto.
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Massa x Hamilton!!!
Massa largou em sexto e terminou na mesma posição. Demorou muito tempo com pista molhada para ultrapassar Rosberg, mas quando conseguiu foi com estilo. Depois tentou ultrapassar Heidfeld , mas o motor BMW conta, e muito, na reta e teve que se contentar com sua posição. Por incrível que pareça aquilo que parecia lucro se tornou prejuízo, pois ao largar em sexto ele não pode mexer em seu carro e configurá-lo para pista molhada. Já Hamilton, largou em 15º e passou quem quis e do jeito que quis até jogando pra fora quando foi preciso e mesmo assim terminou em sétimo, uma posição atrás de Felipe. Por largar em 15º teve a possibilidade de ajustar seu carro pra chuva e talvez até essa seja a enorme diferença de rendimento para seu companheiro “Kovalento”. Mas não justifica muito, pois a diferença de talento é enorme.
Parece que Massa saiu no prejuízo, mas na verdade não foi bem assim. Em condições normais Hamilton ganharia de ponta à ponta e a diferença para Massa (que é apenas de um ponto) seria maior. Já a Ferrari, sim, saiu no prejuízo. Ela não ajustou o carro de Raikkonen para chuva. Isso ficou claro, pois com pista molhada Hamilton o ultrapassou como quis e ganhou várias posições, enquanto Raikkonen ficou preso atrás de carros mais lentos. Já no final, quando não valia mais nada e com a pista secando, Raikkonen colocou pneus intermediários e passou a andar mais rápido que todo mundo. Moral da história: a diferença no mundial de construtores caiu para apenas cinco pontos e a Ferrari corre sério risco de perder um campeonato “ganho”.
Uma pena Bourdais ter tido problemas na largada. Enquanto os deuses do Olimpo presenteiam um “Tião”, o outro parece ter sido condenado a pagar pedágio no purgatório. Que falta de sorte tem esse rapaz. Webber mais uma vez levou a Red Bull aos pontos, enquanto Coulthard continuou na sua missão de tentar a cada corrida tirar um piloto. Dessa vez foi Fisichella que vinha fazendo uma corrida brilhante e por pouco não bateu seu recorde pessoal e tirou Nakajima também, só que aí se deu mal.
Vou definir as equipes através de * (Ótimo ****, Bom ***, Regular ** e Péssimo*)
FERRARI**: Saiu no lucro no mundial de pilotos e no prejuízo no de construtores. Não arrumou o carro de Raikkonen para chuva e esse foi novamente humilhado por Hamilton na pista. Massa, com estratégia de duas paradas, ficou muito tempo atrás de Rosberg. Poderia ter chegado em terceiro ou quarto, mas terminou em sexto e mesmo assim em um final de semana tumultuado descontou mais um ponto em sua disputa direta com Hamilton e agora apenas um ponto separa os dois.
BMW***: Prejudicada pela chuva na classificação, levou seus dois pilotos aos pontos. Kubica foi ao pódio e abriu sete pontos de vantagem para Raikkonen na disputa pelo terceiro lugar do campeonato, mesmo tendo um carro inferior. Heidfeld sofreu do mal do regulamento, largou na frente de seu companheiro mas como estava em décimo não podia mexer em seu carro, correu com acerto de pista seca. Mesmo assim chegou em quinto segurando Massa e Hamilton no final.
RENAULT***: Sua meta é conseguir ser a quarta equipe da temporada. Hoje conseguiu, já que empatou com a Toyota em números de pontos e passou a frente no critério de desempate, com um segundo lugar de Piquet. Alonso chegou em quarto, teve méritos e sorte por ter ficado na frente de Heidfeld, pois com o motor que tem dificilmente seguraria Massa. E no embalo levaria outra ultrapassagem de Hamilton. Piquet tentou se manter o máximo possível na pista antes de fazer seu único pit. Chegou a estar em terceiro, mas no final acabou em décimo.
RED BULL*: Mesmo com problemas de pneu Webber conseguiu marcar um ponto. Já Coulthard deveria ser suspenso pela FIA e assim encerrar sua carreira. De novo tirou outro piloto da prova e ninguém faz nada. Para piorar a equipe levou um show da sua filial Toro Rosso, que além de tudo a ultrapassou no mundial de construtores. Por sorte o carro de Bourdais teve problemas na largada, caso contrário o estrago poderia ter sido maior. O motor Renault é muito fraco perto do Ferrari.
WILLIAMS*: Teve um ótimo começo com Rosberg, que conseguiu estragar a estratégia de Massa, mas depois sumiu. Nakajima apareceu quando foi acertado por Coulthard e Rosberg, que largara em quarto, conseguiu terminar atrás de seu companheiro de equipe. Deu tudo errado.
TOYOTA*: Outra que poderia ter pontuado, mas não pontuou. Começou bem, mas Glock afoito acabou rodando e ainda foi jogado pra fora por Hamilton. Acabou em 11º. Trulli perdeu rendimento durante a corrida e acabou em 13º. Tinha as corridas de alta velocidade para tentar se manter na frente da Renault, não conseguiu e as provas restantes parecem favorecer a equipe francesa. Vê suas chances de ser quarta no mundial irem por água abaixo.
TORO ROSSO****: Pela segunda corrida seguida é a equipe do final de semana e dessa vez com vitória. Muito bem na chuva, classificando seus dois pilotos entre os quatro primeiros e teve a infelicidade de Bourdais ter problemas na largada. Mas ganhou de ponta a ponta com Vettel em um dia brilhante do alemão. Melhor ainda, assumiu a sexta colocação no mundial de construtores deixando a Red Bull para trás. Pena que o carro novo demorou para ficar pronto, senão estaria brigando com Renault e Toyota para ver que ficaria com a quarta posição no mundial de construtores.
HONDA*: Se nem na chuva, que é especialidade de Barrichello, consegue ir bem, o que dizer do resto… É hoje pelo orçamento infinitamente maior que o da Force India, a pior equipe da F-1. Button também esteve apagado.
FORCE INDIA**: Sutil, para variar, foi o mais lento da prova, e Fisichella não terminou. Parece o retrato de um desastre, mas não foi bem assim. Físico segurou Hamilton e Raikkonen por várias voltas e vinha muito bem, andando na frente de muita gente, quando foi acertado por Coulthard que o tirou da prova, o que acabou sendo injusto, por isso merece duas estrelas.
MCLAREN***: Que nem a Ferrari, mas às avessas, se deu bem no mundial de construtores e mal no de pilotos. Em condições normais se daria bem no dois, pois Hamilton ganharia de ponta à ponta. Por falar em Hamilton, passou todo mundo do jeito que quis, até usando de certa deslealdade como quando jogou Glock para fora ou quando tocou em Alonso para ultrapassá-lo. Mas dificilmente a FIA o puniria em duas corridas seguidas, por isso saiu no lucro mesmo tendo terminado em sétimo. E “Kovalento”… bom, já falei bastante dele, é muita vela para pouco defunto. Tinha um carrão na mão e não venceu, pelo menos seus oito pontos ajudaram no mundial de construtores.
Essa foi disparada a melhor prova da temporada. Interessante perceber que quando um piloto de ponta ganha do começo ao fim e em ultrapassagens no pelotão intermediário, não damos importância. Já quando acontece o contrário, como hoje, com um piloto do pelotão intermediário vencendo e os pilotos envolvidos na disputa pelo título ultrapassam, dão show e brigam por posições intermediárias, aí achamos que a corrida foi fantástica. Como somos exigentes, não?
Classificação dos pilotos:
1º – L. Hamilton 78
2º – F. Massa 77
3º – R. Kubica 64
4º – K. Raikkonen 57
5º – N. Heidfeld 53
6º – H. Kovalainen 51
7º – F. Alonso 28
8º – J. Trulli 26
9º – S. Vettel 23
10º – M. Webber 20
11º – T. Glock 15
12º – N. Piquet 13
13º – R. Barrichello 11
14º – N. Rosberg 9
15º – K. Nakajima 8
16º – D. Coulthard 6
17º – S. Bourdais 4
18º – J. Button 3
19º – A. Sutil 0
20º – G. Fisichella 0
21º – T. Sato 0
22º – A. Davidson 0
Mundial de Construtores:
1º – Ferrari 134
2º – McLaren 129
3º – BMW-Sauber 117
4º – Renault 41
5º – Toyota 41
6º – Toro Rosso 27
7º – Red Bull 26
8º – Williams 17
9º – Honda 14
10º – Force India 0
11º – Super Aguri 0
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http://nelsoncorrea.com/wordpress Nelson (Pô, meu!)
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João de Vargas
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Gabrielle Guillen ( morrendo de saudades de Bahia Blanca )
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