Raikkonen estreou na F-1em 2001 impressionando, afinal tinha pouco mais de 20 corridas em monopostos. Teve que provar para os dirigentes da categoria máximo do automobilismo que conseguia guiar mesmo com tão pouca experiência. Provou e fez mais, no ano seguinte assumiu o lugar de Hakkinen na McLaren[bb]. Em pouco tempo bateu Coulthard e em 2003 conseguiu a tão sonhada primeira vitória.

Não foi o protagonista da temporada, disputada por Schumacher e Montoya, mas por causa de sua constância, chegou na última corrida da temporada com chances de ser campeão mesmo com uma vitória. Acabou vice. Em 2005, com um grande carr,o travou uma bela batalha com Alonso. Mas a falta de confiabilidade dos motores Mercedes o relegaram de novo ao vice-campeonato, embora tivesse vencido sete corridas, o mesmo número de Alonso.

Descontente com a McLaren e pelo fato de ela ter contratado Alonso, rumou para Maranello como o substituto de Schumacher que anunciara sua aposentadoria. O começo foi difícil, demorou na adaptação ao carro de 2007 e era freqüentemente batido por seu companheiro Felipe Massa. Mas na parte final da temporada superou seus problemas e, em uma fantástica arrancada, conquistou o título com ajuda de seu companheiro, diga-se de passagem, que abriu mão da vitória no GP do Brasil.

Enfim campeão do mundo, o homem de 40 milhões de dólares tinha tudo para se firmar e se tornar o maior adversário de Hamilton nesta temporada. Mas no momento, além de estar a vinte pontos de seu companheiro de equipe faltando apenas quatro provas do final, das 14 disputadas até agora, Massa largou na sua frente em 10 e tem cinco vitórias contra duas do finlandês. O que está acontecendo com o campeão?

Há só uma explicação. De todos os pilotos da F-1, o que mais sentiu com a falta de controle de tração foi Raikkonen. Foi justamente no ano em que ele estreou que a F-1 liberou o uso do controle e ele facilmente se adaptou na categoria. Faltou base ao campeão, pouco mais de vinte corridas em carro de monoposto parecem insuficientes para alguém que está em sua oitava temporada na F-1.

A Ferrari[bb] declarou que esse ano Raikkonen não se adaptou bem ao carro nas entradas e saídas de curva, justamente onde os pilotos antes de começar o campeonato diziam que iam sentir mais sem o controle de tração. Além da chuva, é claro. Na Bélgica, circuito predileto de Raikkonen essa falta de experiência se fez valer. De novo largou atrás de Massa e, pior, atrás de Hamilton e Kovalainen também. Na corrida, conseguiu a ponta e de maneira brilhante pilotou como um verdadeiro campeão do mundo. Mas aí veio a chuva e de piloto veloz que tinha o carro nas mãos, se transformou em um desastre, lento e atrapalhado rodou até bater. Em Monza, as falhas se repetiram, com pista encharcada não fez frente à Massa na classificação e na corrida levou um baile de Hamilton e de outros carros menos velozes.

Raikkonen é um piloto de velocidade pura, mas nessa nova F-1 parece que apenas esse requisito não é suficiente para fazê-lo bi-campeão. O finlandês acabou de renovar seu contrato com a equipe até 2010. A imprensa italiana, por diversas vezes, já pegou em seu pé. Basta saber se a Ferrari vai ter paciência com seu campeão sem o controle de tração.