Com a vitória do GP da Europa, em Valência, Massa se igualou a Barrichello em número de vitórias, 9 cada, e em números de pole, 13 cada. Porém, a maneira como Massa é visto pela imensa torcida brasileira é totalmente diferente da maneira que enxergamos Rubinho e só a história explica isso.

Assim como somos o País do futebol, também podemos ser chamados de País do automobilismo. Nunca se viu pilotos com tanta qualidade e por tanto tempo.

A Alemanha teve em Schumacher o seu mito, a França viu em Prost o seu grande ídolo, que correu em uma época de bons franceses, a Escócia possuiu dois mitos: J. Clark e J. Stewart em um curto espaço de tempo, mas ter vitórias e disputas de títulos por mais de quatro décadas só Brasil teve. A Inglaterra para poder igualar-se, fez valer do fato de ter dominado a Escócia, assim somando os títulos de Clark e Stewart com o chamado Reino Unido. Mas pergunta para o Coulthard se ele gostava quando ganhava uma corrida e ao invés de tocar o hino da Escócia, tocava Deus salve a Rainha?

Além de estar na mídia por mais de quatro décadas, nossos novos heróis se superavam a cada nova geração até chegar em Barrichello. Emerson ganhou dois títulos,14 corridas e fez seis poles. Pace morreu no exato momento em que assumia o posto de primeiro no coração dos brasileiros e não teve tempo para ser campeão, mas tinha o respeito de todos.

Coube a Piquet ser o substituto de Fittipaldi e ele não decepcionou, ganhando três campeonatos, corados com 23 vitórias e 24 poles. Quando saiu do seu auge, quem assumiu o posto de ídolo foi Ayrton Senna. Um ano depois de Nelson ganhar seu último título, Senna ganhou seu primeiro. E fez mais: ganhou mais dois e igualou Piquet em títulos e, não contente, ganhou 41 corridas e fez 65 poles.

Rubinho estreou em 93 no auge de Senna e logo impressionou. Na corrida onde Senna fez história no GP da Europa, em Donington Park, quando ainda na primeira volta Senna ultrapassou cinco carros e ganhou debaixo de chuva praticamente de ponta à ponta, Barrica ganhou mais de 10 posições com um Jordan muito inferior, quase chegou ao pódio, quebrou a quatro voltas do fim e encantou o mundo. Seria ele o novo talento do automobilismo brasileiro?

Mas ai veio a tragédia de Ayrton em seu auge, quando estava pronto para ser o maior campeão brasileiro em títulos e o mundo caiu nas costas de Rubinho. Com carro inferior, ele virou o sucessor do Ayrton e pior, bancou isso. Até com resultados expressivos, mesmo sem vitórias, conseguia poles e até um segundo lugar com a Stewart debaixo de chuva, que lembrou o Senna de 84.

Mas Rubinho também cometeu grandes erros, primeiro ao recusar negociar um contrato com a McLaren[bb] em 95, já que a Jordan exigia uma definição e ele ficou com medo de ficar sem equipe, ou assinar um contrato com a Ferrari[bb] e cair na armadilha da Rede Globo e se auto eleger o piloto 1B da equipe, prometendo vitórias contra um Schumacher que tinha todas as atenções da escuderia.

Rubinho conseguiu nove vitórias, mas pelo menos quatro foram com ordem da Ferrari, que segurou Schumacher para que ele conseguisse o vice-campeonato de 2002 e de 2004. Foram seis GP’s do Brasil, seis esperanças de um dia ver um piloto brasileiro no mais alto degrau do pódio, seis frustrações. Rubinho não assinou com a Williams no final de 2003, mesmo sendo humilhado pela Ferrari, tendo que abrir passagem para seu companheiro de equipe. Até que ele se cansou e assinou com a Honda e Massa ganhou uma vaga na Ferrari.

Antes de Massa, outros brasileiros apareceram como candidatos a ídolos e fracassaram. Zonta venceu Montoya na extinta F-3000. Pizzonia era o Jungle Boy, o menino da selva, mas na F-1 sucumbiu. Massa quietinho, foi chegando, chegando e ficou. De piloto afobado da Sauber à piloto de testes da Ferrari, onde despertou interesse da equipe, ganhou experiências que o fizeram conquistar Peter Sauber em seu retorno. Diga-se de passagem, esse fato deu-se por exigência da Ferrari, que cedia para a equipe uma versão ultrapassada de seus motores[bb]. Quando saiu Massa ganhou um carro do chefe.

Na Ferrari, Massa era tido pela imprensa como piloto tampão de Valentino Rossi ou de Raikkonen. Mas o que se viu foi um piloto inteligente que se apegou em Schumacher e, ao contrário de Rubinho, procurou aprender com o alemão. Em dois anos virou um dos protagonistas da F-1 e, melhor, sem carregar o peso de ser o novo Senna. Até porque Massa não sucedeu Senna e sim Barrichello.

Os fracassos de Rubinho fizeram o brasileiro ter a certeza de que nada poderia ser pior. E não foi. Em seu primeiro ano de Ferrari, Massa venceu dois GP’s, sendo um deles no Brasil. Esse ano, vemos um verdadeiro postulante ao título. É um recomeço para uma nação acostumada com vencedores. E, se essa nova geração que esta pintando com Piquet Jr, ou Senna sobrinho, quiserem ser melhores, terão que superar os feitos de Massa e, só assim, poderão ser chamados de sucessores da saga brasileira nesse mundo da F-1.

Olha que Massa ainda é novo e tem muita coisa ainda para conquistar, o que significa que para atingirem o nível de dele, seus concorrentes terão que suar muito para não nadarem e morrerem na praia.