Jul 20 2008
Escrito por Ricardo César, sobre Fórmula 1
Tags: alemanha, hamilton, massa, piquet
Hamilton venceu sua segunda corrida seguida na F-1 de forma absoluta, pilotando muito e sem dar chances aos adversários. Assim se resumiria minha análise se não fossem por alguns pequenos detalhes.
Há duas corridas diziam que Hamilton estava sentindo o peso de liderar a McLaren, que sentia falta de Alonso, e que a Ferrari
faria desse campeonato uma disputa isolada de seus dois pilotos. Mas como na F-1 tudo muda muito rápido, agora vemos uma McLaren muito competitiva e uma Ferrari tendo que correr atrás do prejuízo depois de tantas falhas. É impressionante, mas mesmo quando ela não erra, como no GP de hoje, ela não tem sorte. Mas voltando a Hamilton, assim como na Inglaterra, ele logo pulou para a dianteira, Massa, o segundo, também abria dos outros, mas não conseguia acompanhá-lo. Seria outra vitória esmagadora se Glock não sofresse um acidente e o safety car entrasse na pista. Mudança de estratégia.
Hamilton continua na pista tendo que parar mais uma vez. Massa pára e não precisa mais entar nos pits e tudo indica que dessa vez a Ferrari acertou. Hamilton volta atrás de seu companheiro de equipe, e aí dúvidas começam a pairar em minha cabeça. Em uma manobra muito parecida com a que a Ferrari fazia com Schumacher, ele chega e passa Kovalainen, bem no momento em que as câmeras flagraram Ron Dennis apertando os botões dos rádios de seus pilotos, que nem Ross Braw fazia na Ferrari. Mas ordens de equipe não estavam proibidas na F-1?
Voando baixo na pista como se fosse o alemão, que diga-se de passagem estava no circuito, Hamilton logo colou em Massa e, sem tomar conhecimento, partiu para a ultrapassagem. Nesse momento, Massa se defendeu e eu vi Hamilton no estilo Dick Vigarista jogando seu oponente para fora da pista. Massa tentou reconquistar a posição e mais uma vez foi espremido. Duas voltas depois e Hamilton colou em Piquet, que largara em 17º, mas que com uma única parada, tinha herdado o primeiro lugar da corrida, depois da entrada do safety car. Mais uma vez Hamilton passou. Como Piquet mesmo declarou na entrevista coletiva, ele nem dificultou a ultrapassagem, pois queria garantir o segundo lugar, já que tinha tido muitos problemas no ano e, mesmo assim Hamilton o espremeu. Ninguém falou nada, acabou assim mesmo, Hamilton foi soberano, a McLaren venceu e mostrou que pode vencer em quaisquer condições, seja com seu primeiro piloto na frente ou tendo que lutar por posições.
Em nome da boa competição, a FIA demonstrou que está tudo liberado, assim corremos o risco de ter um novo Schumacher: um piloto muito rápido, arrojado que pode agir de má fé e jogar seus adversários para fora da pista. De quebra, ganhou um Barrichello como companheiro de equipe, com o nome de Kovalainen.
Há de se elogiar a corrida de Piquet, que chegou em segundo na estratégia e na sorte, mas que também não cometeu erros, ao contrário de seu companheiro bi-campeão, que mais uma vez rodou na pista. Massa, sem carro para acompanhar Hamilton, foi o segundo melhor da corrida sem dar chances aos outros, mas que no final contando com a má sorte que o acompanha em toda a temporada e atrapalhado pelo safety car acabou em terceiro. Já Raikkonen foi um campeão que passou despercebido, assim como Kubica, que pela segunda corrida seguida acaba atrás de Heidfeld. Ele ainda deu uma escapada e terminou atrás de Raikkonen, praticamente dando adeus à disputa do título. Fechando a zona de pontuação Vettel, recém-confirmado na Red Bull pro ano que vem, abocanhou mais um pontinho.
Destaque negativo para Coulthard, que em uma disputa que pode ser chamada de terceira idade na F-1, tirou Barrichello da prova. Deve de ser a quarta ou quinta corrida em nove nesse ano que Coulthard tira alguém. A pergunta que não quer calar é: quem será a próxima vitima? Já que ele não repete pilotos em seus acidentes.
Vou definir as equipes através de * (Ótimo ****, Bom ***, Regular ** e Péssimo *)
FERRARI **: Massa andou na frente de todos, menos de Hamilton, não deu chance para Raikkonen ou para Kovalainen. Mais uma vez, o piloto contou com a falta de sorte para perder um segundo lugar certo e acabou em terceiro. Raikkonen irreconhecível. É certo que ele nunca teve sorte na Alemanha, mas nesse fim de semana não chegou nem perto de ameaçar os líderes. A Ferrari precisa abrir o olho, enquanto não é tarde demais.
BMW **: Mais uma vez Heidfeld salvou a pátria, mesmo largando atrás não cometeu erros e contou com a sorte para chegar em quarto. Kubica até andou bem, mas se atrapalhou depois da entrada do safety car. Duas corridas em que poderia ter terminado na frente, mas desperdiçou a chance. Esta nítido que a equipe não acompanha mais o ritmo de Ferrari e McLaren e, pior, vê a aproximação de Red Bull, Toyota e Renault em seus calcanhares. Mas como tem muitos pontos de vantagem deve de manter o terceiro lugar no mundial de construtores até o final.
RENAULT **: Chegou ao pódio contando com a sorte e a competência de Piquet, que não cometeu erros e apostou na estratégia certa de uma parada. Com a entrada do safety car herdou o primeiro lugar e ainda teve frieza para não perder tempo brigando com Hamilton. Mostrou consciência na entrevista coletiva em assumir que teve sorte. Já Alonso está virando leão de treino, mas na corrida acaba indo pra trás e anda cometendo muitos erros. Essa é a terceira corrida seguida que roda e duas em três que acaba atrás de Nelsinho. Nem Briatore agüentou depois de sua rodada.
WILLIAMS *: Rosberg em 10º, Nakajima em 15º e mais nada a declarar. Só não passou despercebida na corrida porque Nakajima teimava em passear na brita. Está cada vez mais para trás no pelotão. Falam muito de Rosberg, mas todo ano ele disputa de igual pra igual com seus companheiros para ver quem marca mais pontos e olha que seus companheiros são do quilate de Wurz e Nakajima.
RED BULL *: Webber andou bem no começo, mas depois sumiu. Coulthard, que estava a passeio na Alemanha tirando foto de tudo e de todos, aproveitou para tirar mais um piloto da pista, dessa vez Barrichello. Um final de semana para esquecer de uma equipe que vem pontuando com freqüência.
TOYOTA *: Mesmo sem muito brilho, Trulli chegou perto dos pontos ficando em nono. Uma falha mecânica ou um erro de Glock causou o acidente mais grave e mudou a história da corrida. De quebra Glock acabou perdendo a chance de marcar pontos em sua terra natal. Tem corrida que a equipe vai bem, em outra vai mal, e assim continua sua caminhada na categoria.
TORO ROSSO **: Vive com sua dupla de “Sebastião” em caminhos opostos. Enquanto Vettel está animado e confirmado para a matriz ano que vem, Bourdais não se encontra e terá que contar com a boa fé da equipe e seu currículo de tetracampeão da antiga F. Mundial para ter uma nova chance ano que vem. Vettel andou bem e pontuou, Bourdais não.
HONDA *: O carro não anda em circuito de alta velocidade, falta motor, mas é nítido que o momento de Barrichello é melhor do que Button. Mesmo não terminando a prova, Rubinho aplicou uma bela e humilhante ultrapassagem em seu companheiro, mesmo depois de ter saído dos boxes e estar com pneus novos e menos aquecidos do que o inglês. Não brigou por pontos, mas também não passou despercebida como a Williams e a Force India.
FORCE INDIA *: Alguém viu? Eu não, e olha que Sutil corria em casa. É a nova Minardi da F-1.
MCLAREN ***: Parece a Ferrari de uns anos atrás nitidamente com um primeiro piloto e um escudeiro para trabalhar pra ele. Não que a equipe queira isso, mas é que Kovalainen simplesmente não anda. Mas não sei se a equipe vai querer um Rosberg para incomodar ano que vem. Hamilton deu um show na corrida, acelerou do jeito que quis, passou como quis e ainda ouviu um pedido de desculpas da equipe por ter dificultado sua vida. Faltam nove provas e por essas duas últimas, parece a equipe a ser batida.
Obs: Desde 1991 que o Brasil não levava dois brasileiros ao pódio. Naquele ano, na Bélgica, Senna ganhou e Piquet (pai) chegou em terceiro. Se fosse na Hungria, onde não se ultrapassa, a estratégia de Ferrari e Renault teriam dado certo e veríamos uma dobrabinha, coisa que não acontece desde 1990, com Piquet e Moreno. Mas não era Hungria e não fizemos dobradinha. Hungria é a próxima corrida e lá, Ferrari, erros não são permitidos.
Mundial de Pilotos:
1º - L. Hamilton 58
2º - F. Massa 54
3º - K. Raikkonen 51
4º - R. Kubica 48
5º - N. Heidfeld 41
6º - H. Kovalainen 28
7º - J. Trulli 20
8º - M. Webber 18
9º - F. Alonso 13
10º - R. Barrichello 11
11º - N. Piquet 10
12º - K. Nakajima 8
13º - N. Rosberg 8
14º - D. Coulthard 6
15º - S. Vettel 6
16º - T. Glock 5
17º - J. Button 3
18º - S. Bourdais 2
19º - A. Sutil 0
20º - G. Fisichella 0
21º - T. Sato 0
22º - A. Davidson 0
Mundial de Construtores:
1º - Ferrari 105
2º - BMW-Sauber 89
3º - McLaren 86
4º - Toyota 25
5º - Red Bull 24
6º - Renault 23
7º - Williams 16
8º - Honda 14
9º - Toro Rosso 8
10º - Force India 0
11º - Super Aguri 0
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8 comentários
marcellus
July 20th, 2008 at 3:34 pm
1O Hamilton apenas passou e garantiu que não fosse passado logo em seguida! Não achei tão agressivo assim.
valter
July 20th, 2008 at 8:43 pm
2Ultrapassagens normais. Não sei onde estão vendo irregularidade. Só por que coincidiu de serem dois brasileiros os ultrapassados pelo Hamilton que hoje mostrou competencia e teve o melhor carro. Na F1atual uma equipe como a Ferrari não fica muito tempo atrás, assim como a MacLaren, basta um final de semana e a situação pode se inverter. A MacLaren deixa claro que prefere perder com o Hamilton do que ganhar com o Heikki. O caminho que a Ferrari deve seguir é o de escolher um dos pilotos e trabalhar para esse seja o campeãoe tomando cuidado para manter o outro próximo para não acontecer igual ao Irvyne, seria uma espécie de plano B.
Nelson (Pô, meu!)
July 21st, 2008 at 1:26 am
3Caro Ricardo,
Isso parece choro de torcedor e perdedor. As ultrapassagens que o Hamilton fez sobre o Massinha e Piquetzinho foram mais uma vez, uma constatação que a galeria que tem Schumacher, Senna e outros, ganhou rapidamente mais um membro.
Lewis Hamilton é um “fuoriserie”. Bravo pela arte dele.
Abraços e sucesso,
Nelson
Priscilla Bar
July 21st, 2008 at 9:30 am
4Olha,eu também acho que foi um pouquinho agressivo,mas nao achei nada de outro mundo.Pra mim,lance até normal.
Quanto ao Massa,mesmo que o carro dele estivesse muiiito ruim,deveria ter brigado um pouquinho mais….Afrouxou muito cedo pro Hamilton,nem parecia que se tratava da liderança do Mundial.
Fenema
July 21st, 2008 at 10:52 am
5Que Hamilton sobrou na corrida, acho que nem precisamos discuitr. Mas não gostei das ultrapassagens dele. Seu companheiro de equipe só faltou fazer sinal com a mão pra ele passar, e quando passou Massa e Piquet, exagerou. Vejo que seria impossível segurar ele, mas ele foi razoavelmente sujo, forçando a barra como Shumacher costumava a fazer e ninguém reclamava. Bom, se o alemão fez isso por tanto tempo, porque ele não pode fazer? Queria ver se tivesse que ultrapassar o Alonso…
valter
July 21st, 2008 at 11:45 am
6Fenema,
Uma ultrapasagem sobre Alonso que está pilotando uma Renault muito aquém de sua capacidade, concordo com você, haveria dificuldade, o Alonso não teria nada a perder e conhecendo tudo de pilotagem, ele certamente se enroscaria com o Hamilton e os dois sairiam da prova sem que nada se provasse contra o Alonso. Como Alonso já mostrou que ele é o dono da bola (aquele menino que não joda nada e se não for escolhido prá jogar leva a bola e ninguém joga), o Nelsinho deve ficar esperto. Até hoje não entendo: como é que o Alonso deixou a MacLaren? Ele poderia ter ficado e feito igual ao Nelson Piquet que correu na Willians e foi tricampeão correndo contra a equipe que trabalhava abertamente para o inglês Mansell. Talento, competencia e sorte ele tem se sobra.
Ricardo César
July 21st, 2008 at 1:46 pm
7Mais pitacos
Em 58 anos de F1 essa é apenas a segunda vez que o Brasil leva na mesma temporada três pilotos ao pódio, a outra vez foi em 1990 com Ayrton Senna, Nelson Piquet e Roberto P.Moreno
De 1973 á 1975 Emerson e Pace tiveram o privilégio de irem ao pódio na mesma temporada em 1980 Emerson e Piquet dividiram um pódio nos EUA, de 1985 á 1988 e em 1991 Senna e Piquet dividiram as atenções do Brasil no pódio e em 1989 Senna e Gugelmin em um histórico terceiro lugar no Gp do Brasil tiveram a honra
Esse ano Massa, Rubinho e Piquet Jr. repetiram o feito de 1990
Lembrando que a França uma vez em 1982 em pleno Gp francês não só colocou três pilotos nos três primeiros lugares, como quem chegou logo a seguir também era francês. Fato que eu nunca tinha visto antes nem com a Itália na época de Ascari e Farina
Meus amigos eu torço mas não distorço, Hamilton foi soberbo na corrida, mas correu a lá Schumacher em outros tempos haveria muita reclamação pela maneira de ultrapassar e pelo nítido jogo de equipe, mas que dessa vez passou batido. Mas não tira os méritos da vitória do inglês
Pra encerrar, que triste ver esse circuito destruído sem as grandes retas de outrora. Se não fosse o acidente de Glock e a entrada do Safet Car e essa corrida teria sido um tremendo carrossel. Ainda bem que o “Sobrenatural de Almeida” esta solto nessa temporada, fazendo dela a mais emocionante que eu já vi desde 1987
Abraço a todos
Ricardo César
Blog Position
July 21st, 2008 at 10:33 pm
8Olá Barbara! Acho q Hamilton está apenas numa boa fase, assim como Massa estava antes de Silverstone. Com certeza daqui a pouco as besteiras voltarão…
bjs!
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Olá! Eu sou Bárbara Franzin, 24 anos. Jornalista, paulistana, e sim, eu adoro automobilismo.
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