Hamilton venceu sua segunda corrida seguida na F-1 de forma absoluta, pilotando muito e sem dar chances aos adversários. Assim se resumiria minha análise se não fossem por alguns pequenos detalhes.

Há duas corridas diziam que Hamilton estava sentindo o peso de liderar a McLaren[bb], que sentia falta de Alonso, e que a Ferrari[bb] faria desse campeonato uma disputa isolada de seus dois pilotos. Mas como na F-1 tudo muda muito rápido, agora vemos uma McLaren muito competitiva e uma Ferrari tendo que correr atrás do prejuízo depois de tantas falhas. É impressionante, mas mesmo quando ela não erra, como no GP de hoje, ela não tem sorte. Mas voltando a Hamilton, assim como na Inglaterra, ele logo pulou para a dianteira, Massa, o segundo, também abria dos outros, mas não conseguia acompanhá-lo. Seria outra vitória esmagadora se Glock não sofresse um acidente e o safety car entrasse na pista. Mudança de estratégia.

Hamilton continua na pista tendo que parar mais uma vez. Massa pára e não precisa mais entar nos pits e tudo indica que dessa vez a Ferrari acertou. Hamilton volta atrás de seu companheiro de equipe, e aí dúvidas começam a pairar em minha cabeça. Em uma manobra muito parecida com a que a Ferrari fazia com Schumacher, ele chega e passa Kovalainen, bem no momento em que as câmeras flagraram Ron Dennis apertando os botões dos rádios de seus pilotos, que nem Ross Braw fazia na Ferrari. Mas ordens de equipe não estavam proibidas na F-1?

Voando baixo na pista como se fosse o alemão, que diga-se de passagem estava no circuito, Hamilton logo colou em Massa e, sem tomar conhecimento, partiu para a ultrapassagem. Nesse momento, Massa se defendeu e eu vi Hamilton no estilo Dick Vigarista jogando seu oponente para fora da pista. Massa tentou reconquistar a posição e mais uma vez foi espremido. Duas voltas depois e Hamilton colou em Piquet, que largara em 17º, mas que com uma única parada, tinha herdado o primeiro lugar da corrida, depois da entrada do safety car. Mais uma vez Hamilton passou. Como Piquet mesmo declarou na entrevista coletiva, ele nem dificultou a ultrapassagem, pois queria garantir o segundo lugar, já que tinha tido muitos problemas no ano e, mesmo assim Hamilton o espremeu. Ninguém falou nada, acabou assim mesmo, Hamilton foi soberano, a McLaren venceu e mostrou que pode vencer em quaisquer condições, seja com seu primeiro piloto na frente ou tendo que lutar por posições.

Em nome da boa competição, a FIA demonstrou que está tudo liberado, assim corremos o risco de ter um novo Schumacher: um piloto muito rápido, arrojado que pode agir de má fé e jogar seus adversários para fora da pista. De quebra, ganhou um Barrichello como companheiro de equipe, com o nome de Kovalainen.

Há de se elogiar a corrida de Piquet, que chegou em segundo na estratégia e na sorte, mas que também não cometeu erros, ao contrário de seu companheiro bi-campeão, que mais uma vez rodou na pista. Massa, sem carro para acompanhar Hamilton, foi o segundo melhor da corrida sem dar chances aos outros, mas que no final contando com a má sorte que o acompanha em toda a temporada e atrapalhado pelo safety car acabou em terceiro. Já Raikkonen foi um campeão que passou despercebido, assim como Kubica, que pela segunda corrida seguida acaba atrás de Heidfeld. Ele ainda deu uma escapada e terminou atrás de Raikkonen, praticamente dando adeus à disputa do título. Fechando a zona de pontuação Vettel, recém-confirmado na Red Bull pro ano que vem, abocanhou mais um pontinho.

Destaque negativo para Coulthard, que em uma disputa que pode ser chamada de terceira idade na F-1, tirou Barrichello da prova. Deve de ser a quarta ou quinta corrida em nove nesse ano que Coulthard tira alguém. A pergunta que não quer calar é: quem será a próxima vitima? Já que ele não repete pilotos em seus acidentes.

Vou definir as equipes através de * (Ótimo ****, Bom ***, Regular ** e Péssimo *)

FERRARI **: Massa andou na frente de todos, menos de Hamilton, não deu chance para Raikkonen ou para Kovalainen. Mais uma vez, o piloto contou com a falta de sorte para perder um segundo lugar certo e acabou em terceiro. Raikkonen irreconhecível. É certo que ele nunca teve sorte na Alemanha, mas nesse fim de semana não chegou nem perto de ameaçar os líderes. A Ferrari precisa abrir o olho, enquanto não é tarde demais.

BMW **: Mais uma vez Heidfeld salvou a pátria, mesmo largando atrás não cometeu erros e contou com a sorte para chegar em quarto. Kubica até andou bem, mas se atrapalhou depois da entrada do safety car. Duas corridas em que poderia ter terminado na frente, mas desperdiçou a chance. Esta nítido que a equipe não acompanha mais o ritmo de Ferrari e McLaren e, pior, vê a aproximação de Red Bull, Toyota e Renault em seus calcanhares. Mas como tem muitos pontos de vantagem deve de manter o terceiro lugar no mundial de construtores até o final.

RENAULT **: Chegou ao pódio contando com a sorte e a competência de Piquet, que não cometeu erros e apostou na estratégia certa de uma parada. Com a entrada do safety car herdou o primeiro lugar e ainda teve frieza para não perder tempo brigando com Hamilton. Mostrou consciência na entrevista coletiva em assumir que teve sorte. Já Alonso está virando leão de treino, mas na corrida acaba indo pra trás e anda cometendo muitos erros. Essa é a terceira corrida seguida que roda e duas em três que acaba atrás de Nelsinho. Nem Briatore agüentou depois de sua rodada.

WILLIAMS *: Rosberg em 10º, Nakajima em 15º e mais nada a declarar. Só não passou despercebida na corrida porque Nakajima teimava em passear na brita. Está cada vez mais para trás no pelotão. Falam muito de Rosberg, mas todo ano ele disputa de igual pra igual com seus companheiros para ver quem marca mais pontos e olha que seus companheiros são do quilate de Wurz e Nakajima.

RED BULL *: Webber andou bem no começo, mas depois sumiu. Coulthard, que estava a passeio na Alemanha tirando foto de tudo e de todos, aproveitou para tirar mais um piloto da pista, dessa vez Barrichello. Um final de semana para esquecer de uma equipe que vem pontuando com freqüência.

TOYOTA *: Mesmo sem muito brilho, Trulli chegou perto dos pontos ficando em nono. Uma falha mecânica ou um erro de Glock causou o acidente mais grave e mudou a história da corrida. De quebra Glock acabou perdendo a chance de marcar pontos em sua terra natal. Tem corrida que a equipe vai bem, em outra vai mal, e assim continua sua caminhada na categoria.

TORO ROSSO **: Vive com sua dupla de “Sebastião” em caminhos opostos. Enquanto Vettel está animado e confirmado para a matriz ano que vem, Bourdais não se encontra e terá que contar com a boa fé da equipe e seu currículo de tetracampeão da antiga F. Mundial para ter uma nova chance ano que vem. Vettel andou bem e pontuou, Bourdais não.

HONDA *: O carro não anda em circuito de alta velocidade, falta motor[bb], mas é nítido que o momento de Barrichello é melhor do que Button. Mesmo não terminando a prova, Rubinho aplicou uma bela e humilhante ultrapassagem em seu companheiro, mesmo depois de ter saído dos boxes e estar com pneus novos e menos aquecidos do que o inglês. Não brigou por pontos, mas também não passou despercebida como a Williams e a Force India.

FORCE INDIA *: Alguém viu? Eu não, e olha que Sutil corria em casa. É a nova Minardi da F-1.

MCLAREN ***: Parece a Ferrari de uns anos atrás nitidamente com um primeiro piloto e um escudeiro para trabalhar pra ele. Não que a equipe queira isso, mas é que Kovalainen simplesmente não anda. Mas não sei se a equipe vai querer um Rosberg para incomodar ano que vem. Hamilton deu um show na corrida, acelerou do jeito que quis, passou como quis e ainda ouviu um pedido de desculpas da equipe por ter dificultado sua vida. Faltam nove provas e por essas duas últimas, parece a equipe a ser batida.

Obs: Desde 1991 que o Brasil não levava dois brasileiros ao pódio. Naquele ano, na Bélgica, Senna ganhou e Piquet (pai) chegou em terceiro. Se fosse na Hungria, onde não se ultrapassa, a estratégia de Ferrari e Renault teriam dado certo e veríamos uma dobrabinha, coisa que não acontece desde 1990, com Piquet e Moreno. Mas não era Hungria e não fizemos dobradinha. Hungria é a próxima corrida e lá, Ferrari, erros não são permitidos.

Mundial de Pilotos:
1º - L. Hamilton    58
2º - F. Massa    54
3º - K. Raikkonen    51
4º - R. Kubica    48
5º - N. Heidfeld    41
6º - H. Kovalainen    28
7º - J. Trulli    20
8º - M. Webber    18
9º - F. Alonso    13
10º - R. Barrichello    11
11º - N. Piquet    10
12º - K. Nakajima    8
13º - N. Rosberg    8
14º - D. Coulthard    6
15º - S. Vettel    6
16º - T. Glock    5
17º - J. Button    3
18º - S. Bourdais    2
19º - A. Sutil    0
20º - G. Fisichella    0
21º - T. Sato    0
22º - A. Davidson    0

Mundial de Construtores:
1º - Ferrari    105
2º - BMW[bb]-Sauber    89
3º - McLaren    86
4º - Toyota    25
5º - Red Bull    24
6º - Renault    23
7º - Williams    16
8º - Honda    14
9º - Toro Rosso    8
10º - Force India    0
11º - Super Aguri    0