Acabou a “Era Senna” e a “Era Schumacher” também passou. Vivemos uma nova era na F-1, uma era mais competitiva. Pelo segundo ano consecutivo vemos um campeonato onde o título é disputado por quatro pilotos. Uma nova era que faz com que saudosistas, como eu, passem a viver sobre a síndrome de uma época romântica que não volta mais: a “Síndrome dos anos 80”.

Eu tinha apenas 7 anos quando comecei a assistir a F-1 em 1985. Minha família não era das mais ricas e minha TV ainda era em preto e branco. E em duas cores eu assisti as temporadas de 86, 87, 88 e 89. Chamada era romântica da F-1, os anos 80 nos mostraram um equilíbrio enorme entre pilotos e equipes. Existiam mais equipes de ponta, correndo quase que no mesmo nível. Brabham, Williams, Lótus, McLaren[bb] Ferrari[bb] e Renault ditaram a época e pilotos não menos renomados como Senna, Piquet, Prost, Lauda, Mansell e Rosberg, entre outros

Dentre essas temporadas, a de 82 com certeza foi a mais equilibrada, mas marcada pelas tragédias com os dois pilotos da Ferrari (Villeneuve e Pirone), que acabaram garantindo a Rosberg o título com apenas uma única vitória durante todo ano. As de 88 e 89 ficaram marcadas pela rivalidade entre dois pilotos, assim como aconteceu entre Schumacher e Alonso, só que em um grau muito maior e dificilmente será igualável um dia. Porém, nessa nova era pós Schumacher e devido ao mesmo tipo de equilíbrio, as temporadas de 86 e 87 se tornaram uma referência para a F-1 atual.

Quer um exemplo prático? Galvão Bueno, que até dois anos atrás só falava das coisas geniais do não menos genial Michael Schumacher, de uma hora para outra resolveu reavivar a memória de outros gênios como Senna, Piquet e Prost e parece estar sofrendo do mesmo feitiço que eu.

Parece uma nostalgia, mas esse ano vivemos uma F-1com cara de anos 80. Se a temporada de 2007 lembrava a de 1986, essa lembra a de 1987. Quatro pilotos já lideraram a temporada e chegam à metade dela separados por poucos pontos. A Ferrari lembra a Williams de 87, a McLaren de agora a mesma de 87 e a BMW[bb] com um nova sensação Kubica, lembra a Lótus da sensação Senna. Esse ano contanto, com a ajuda do “Sobrenatural de Almeida”, a temporada está mais atraente com mais ultrapassagens do que no ano passado, a chuva e as trapalhadas das equipes e dos organizadores têm ajudado um bocado.

O crescimento da BMW ajudou e muito para que a F-1 não ficasse sob o monopólio de duas equipes e as chamadas “equipes pequenas” deram um passo à frente, hora ou outra buscando um pódio, como aconteceu em Mônaco ou agora na Inglaterra.

Hoje não existe mais o romantismo de vinte anos atrás e meus olhos ganharam cores, mas a F-1 atual me fez reviver na mente uma época de infância guardada aqui dentro que quem não viveu sente saudade só de ouvir, assim como acontece comigo quando ouço falar das temporadas em que o Emerson correu.