Apr 21 2008
Escrito por colaborador, sobre Autódromos, Leitores
Tags: autodromo, earth, engenharia, google, porto alegre, santa cruz do sul
Lembro de meus primeiros tempos de pesquisa no tema “autódromos”. A precariedade dos desenhos das pistas por onde a F-1 passava – que alguns poucos jornais e revistas publicavam – fazia com que se acreditasse em qualquer balela que fosse escrita na “análise técnica do traçado” que era publicada, geralmente, na quarta ou quinta-feira anterior a corrida. Muitas vezes sentei em frente à televisão e não consegui enxergar na transmissão o traçado que o jornal/revista havia publicado como sendo o da pista em que se realizava o evento.
Passei, então, a ser o que chamam de “rato de biblioteca”, enfurnando-me nos acervos de periódicos de várias bibliotecas da grande Porto Alegre a caça de desenhos e referências de melhor qualidade em relação aos desenhos das pistas por onde as principais categorias do automobilismo mundial passavam. Revistas Auto Esporte, Quatro Rodas, Auto Sprint e jornais de todo o Brasil passaram a fazer parte de minhas referências e foram lidos e relidos a exaustão.
Foi numa destas pesquisas que descobri uma jóia rara: um desenho razoavelmente detalhado do que deveria ter sido a pista do autódromo de Tarumã, com seus 4.200 metros de extensão total. Este desenho encontra-se publicado aqui. Tarumã, é, também, um exemplo emblemático de o quanto os desenhos que são publicados em jornais e revistas diferem das pistas que pretensamente deveria representar.
Cheguei a uma coleção de cerca de 220 desenhos de autódromos, de mais de 50 países. Com o advento da internet, inúmeras vezes naveguei horas a fio procurando fotos aéreas e de satélite em que aparecesse algum autódromo. Uma das primeiras pistas que encontrei foi a de Monza, na Itália. Ao todo, não encontrei imagens de mais do que vinte autódromos.
Mas eis que, enfim, para por ordem na casa e mostrar as coisas como realmente são, surge o Google Earth – com suas maravilhosas imagens em alta definição. Rapidamente são lançadas na web as coleções de links com a localização da maioria dos autódromos existentes. Os velhos desenhos de jornais e revistas são, finalmente, substituídos por uma fonte de pesquisa fiel ao que realmente os autódromos são.
As velhas discussões sobre o “comprimento daquela reta” ou “ a curva nem é tão fechada assim” estão, agora, na memória daqueles, como eu, cresceram imaginando os autódromos a partir de desenhos precários. A atual geração tem em suas mãos ferramentas para conferir os mínimos detalhes dos principais autódromos mundiais e avaliar se aquilo que o “especialista” do jornal escreveu é o que realmente será visto na televisão. O Google Earth é, por certo, a melhor destas ferramentas e está a disposição de qualquer curioso, como eu, que queira bisbilhotar o mundo visto de cima.
Nos próximos posts, vamos analisar os principais autódromos do Brasil e do mundo e, obviamente, usar o Google Earth para conferir na tela de nossos computadores, todos os detalhes que a tecnologia nos permite observar.
Um abraço,
Eng. Leomar Teichamnn
Quem sou eu?
Engenheiro Civil graduado pela Ulbra em 2001, há 20 anos pesquiso a arte de desenvolver os “play-grounds” mais velozes que existem: os autódromos. Como grande fã do memorável Ayrton Senna, desde jovem desenvolvi o desejo de, um dia, participar da construção de um autódromo – sonho este que pude realizar, em parte, em Santa Cruz do Sul – onde fui o consultor técnico do empreendimento. Minha página: http://www.lnt.eng.br
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