Após matéria divulgada no Estadão, começaram a pipocar notícias sobre a declaração do piloto Renato Russo sobre o uso de drogas e bebidas na Stock Car. Li o caso no blog do Fábio Seixas e no do Téo José. O mais engraçado é que horas depois a direção da Stock, a Vicar, e a CBA soltaram comunicados oficiais e o próprio piloto adotou um tom mais ameno nas suas declarações. Belo trabalho da assessoria de imprensa, que deve ter falado com Renato e elaborado o que foi divulgado na seqüência.

Ainda não está claro o que o levou a tomar essa atitude. Ele afirma que a categoria possui um grande racha entre os pilotos e apenas três companheiros – do super grid da Stock – foram visitá-lo no hospital após o fatídico acidente com Rafael Sperafico. Renato também fez acusações pesadas sobre o uso de bebidas e drogas antes de treinos e corridas. Segundo ele, esse seria um dos motivos para o número de acidentes na Stock, pois acredita que os reflexos dos pilotos ficam prejudicados sob o uso de tais substâncias.

Se Renato está falando a verdade, vamos demorar um tempo para saber. A denúncia será levada para os tribunais e o piloto corre risco de ser gravemente punido caso não apresente nenhuma prova. A repercussão entre os pilotos também foi instantânea. Li algumas reportagens com declarações inflamadas afirmando que Renato está totalmente equivocado, errando absurdamente no que falou. Por outro lado, há pilotos que adotam um tom mais ameno dizendo ser necessário um exame do doping na categoria.

Isso mostra mais uma vez como o automobilismo brasileiro é despreparado. Se uma competição tão séria e profissional como a Stock não tem esse tipo de controle, o que esperar dos demais certames? Sinceramente, não sei. Talvez a denúncia de Renato possa até não ser verdadeira, mas que serviu para acender a chama de que está na hora de fazer alguma coisa para tornar o nosso automobilismo mais sério e deixar somente pilotos profissionais correrem, é fato.