A F-1 completa 58 anos, está em sua 59ª temporada e em todo esse tempo apenas quatro campeões do mundo tiveram o privilégio de ver seus filhos correndo na categoria. São eles: Jack Brabham com seus filhos David, Geoff e Gary, Mario Andretti com Michael, Graham Hill com Damom e Keke Rosberg com Nico.

damon_hill2.jpgEsse ano, mais um filho de campeão do mundo ingressa nas pistas: Nelsinho Piquet, herdeiro do tri-campeão mundial Nelson Piquet. Dos que antes correram, apenas Damom Hill atingiu o sucesso conseguindo o título mundial e, mesmo assim, não deixou de ser comparado com seu pai, que foi conhecido como o Sr. Mister Mônaco, e que talvez tenha sido o maior adversário do lendário Jim Clark. Damom, embora campeão, nunca conseguiu o mesmo respeito, inclusive de sua fanática torcida inglesa, que acaba de eleger Hamilton como sucessor de Mansell, mesmo Hill tendo ganho seu título em 1996, dois anos depois de Mansell se aposentar.

jacques_villeneuve.jpgExiste uma história inversa, a história de um grande piloto que morreu antes sem conseguir ser campeão e anos depois seu filho veio e conseguiu o título. Estou falando de Gilles e Jacques Villeneuve, só que mesmo nesse caso, se fizermos uma pesquisa de quem foi o melhor, dez entre dez vão dizer que Gilles foi melhor que Jacques. No caso de Jacques fica a impressão de que Deus quis corrigir um erro do destino, dando ao filho, o título que o pai nunca teve, pois Jacques teve duas carreiras distintas: uma onde foi campeão na Indy, vencendo as 500 milhas de Indianápolis, chegando na F-1 e se tornando campeão do mundo. E outra depois do título, pois logo no ano seguinte da conquista e pelo resto da sua carreira, não teve carro para tentar o bi e, com o tempo e a desmotivação, ganhou o apelido de chicane móvel. Um triste fim para quem foi campeão.

nico_rosberg.jpgAgora essa herança hereditária ou pressão hereditária recai sobre os filhos de Rosberg e Piquet. Nico, há dois anos na F-1, parece já ter conquistado o respeito de todos e é incondicionalmente eleito como um futuro campeão. Basta saber se terá um carro à altura para atingir esse objetivo, pois na F-1 moderna nem sempre vence o melhor piloto e sim quem tem o melhor carro. As comparações entre Piquet e Piquet Jr já começaram e pior – para mim numa pressão muito maior do que já sofreu algum outro piloto. Dizem que assim como Piquet, Nelsinho estréia enfrentando na equipe um bi-campeão mundial, só esquecem de dizer que Lauda estava na beira de sua primeira aposentadoria e que Alonso tem apenas 27 anos e está em seu auge. Que Piquet era um mecânico nato em uma F-1 que se exigia muito desse tipo de conhecimento, pois nada se tinha de computação. Piquet Jr entra na F-1 com quatro anos menos que seu pai entrou, com muito menos quilometragem de rachas que seu pai teve, talvez com mais velocidade pura que seu pai e com muita vontade de aprender.

nelsinho_piquet.jpgTanto Nico como Nelsinho precisam acima de tudo de tempo para se desenvolver nessa atual F-1 que a cada ano coloca pilotos mais novos nas pistas e sem a pressão de ter herdado a herança dos sobrenomes de seus pais, que nesse ambiente pode mais atrapalhar do que ajudar. O filho de Nakajima, que nunca chegou perto de ser campeão, também está entrando nesse mundo e parece que de todos é o que mais herdou o talento do pai, já que na estréia atropelou um mecânico em seu reabastecimento. Mas cabe só a ele demonstrar que foi apenas uma péssima primeira impressão e que pode mostrar muito paras os apaixonados da categoria.

 

Abraços a todos,
Ricardo César