Nov 17 2007
Escrito por Ricardo César, sobre A1GP
Tags: , A1GP, f1, ferrari, fittipaldi, luciano do valle
Fundada por um membro da família real de Dubai, o Sheikh Hasher Marktourm , a A1 Grand Prix é um campeonato internacional sancionado pela FIA, onde cada equipe representa um país, tornando a categoria um verdadeiro campeonato Mundial, onde quem vence é a equipe, sem mundial de pilotos.
A A1GP é um campeonato que ainda não caiu no gosto dos amantes do automobilismo, mas não quer dizer que não vai cair. Pelo contrário, ela tende a seguir um caminho muito parecido com a F1, até por que não é uma categoria concorrente, já que ocorre no período de férias da principal categoria do automobilismo mundial.
Na verdade ao falar sobre esse sonho do Sheikh Hasher, me vem a lembrança das histórias que li sobre a F1 dos anos 50. Hoje em dia a F1 é vista em todo o mundo, tem noticias diárias na internet, milhares de blogs falando apenas dela, as montadoras dominam a categoria com orçamentos absurdos e os antigos garagistas perderam espaço. A F1 de hoje em dia virou um grande negócio. Fica nítido com acusações de espionagem de McLaren, Renault (atualmente) e da Toyota há alguns anos atrás, que correr apenas por amor e paixão e apenas pelo espetáculo das grandes batalhas na pista deixou de existir há muito tempo.
Mas houve uma época na F1 que se corria apenas por paixão, o prazer por corridas. Assim nasceu a F1 em 1950, depois da Segunda Guerra Mundial. Durante mais de uma década eram apenas sete corridas ao ano, sem muito glamour, e depois da corrida se juntavam todos para tomar cerveja, para conversar.
Não havia transmissão de Tv nos anos 50, e assim como a A1Gp de hoje em dia, mais parecia um sonho de algumas pessoas que acreditaram desde o começo em um mundial de pilotos.
Na A1Gp o que conta é o amor pelas corridas. Os carros são todos iguais, com um orçamento acessível. O que conta é a habilidade do piloto, as ultrapassagens, e mesmo com a competição entre países, no final de cada corrida permanece aquele clima que se tinha na F1 de antigamente.
O sonho se torna cada vez mais real: assim como foi com a F1 um dia, a categoria ganha status. Esse ano Hasher firmou um acordo com a Ferrari, a mais famosa e mais importante escuderia do automobilismo mundial. E por seis anos (a partir do ano que vem) ela receberá chassis e motores para os carros da A1GP.
O carro do ano que vem será baseado no F2007, mas sem perder as característica dos carros da categoria.
Só torço que a A1GP não caia na armadilha da ganância que caiu a F1, que cresça cada vez mais e que seja uma ótima opção pra nós amantes do automobilismo nas férias da F1 e das outras categorias top.
Mais uma vez o desbravador brasileiro nessa nova aventura é Emerson Fittipaldi, que está investindo na equipe brasileira. Logo ele que abriu as portas da F1 e da Indy para os brasileiros e que é nosso campeão representante na GP Masters. É ele que vai ter o privilégio de experimentar o carro produzido pela Ferrari para a categoria.
Para emplacar aqui no Brasil, ainda falta um grande emissora apoiando a categoria como a Globo faz com a F1. A Rede TV transmite só de madrugada.
A parceria Emerson Fittipaldi/Luciano do Valle deu certo uma vez. A F-Indy, antes de se dividir em duas, se tornou quase tão popular quanto a F1. Bem que poderia acontecer de novo, algo tocar no coração desses dois desbravadores do esporte brasileiro e a A1GP ficar mais acessível para nós. Pelo menos essa é a minha torcida.
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9 comentários
Débora Menezes
November 19th, 2007 at 11:11 am
1Bacana seu blog. É para aficcionados, mas tem um pique interessante e você escreve bem! Posso deixar uma sugestão? Vez em quando, você mostrar as malucas adaptações que alguns paulistanos fazem pra vender alguma coisa em um carro. Você vê cada modelo na rua… tem aquele horroroso carro da Roto Rooter pra propaganda de dedetização, com baratas e aranhas em tamanho gigante assustando a gente quando passamos na rua. Mas há coisas bem criativas também, como um carro que não lembro o modelo, e serve de venda de camisetas na rua (eles ficam perto do Mackenzie, da Faap). Beijos e bom trabalho!
Felipe
November 19th, 2007 at 1:46 pm
2Cara, até hoje eu não sabia como se escrevia Sheikh…
Eu não ponho muita fé nessas transmissões, a RedeTv definitivamente não é uma rede séria. Só assisto à A1GP quando tenho sorte de pegar uma reprise no Sportv, o que é muito raro.
Ricardo César
November 19th, 2007 at 9:37 pm
3Felipe
A Cart (Indy-Cart) vinha muito bem no Brasil até sair da Band e ficar rodando na por emissoras que não levam o automobilismo a sério como Rede Tv, Record e SBT, e hoje em dia nem passa mais em canal aberto
A Indy (IRL), voltou a ser vista depois que a Band voltou a ser transmitida, mas ainda não caiu nas graças do público como a antiga Indy, por que não existem mais na Band um Show do esporte que tomava conta do domingo como antigamente, tudo por culpa desse tal mal chamado “Ibope” que descaracterizou as emissoras
Pra A1 Gp emplacar no Brasil seria necessário uma emissora séria que investisse na idéia de mundial por países
Quem sabe isso não acontece um dia
Abraço
Grünwald
November 20th, 2007 at 7:09 pm
4A idéia é boa, mas precisam acertar alguns pontos fundamentais, ainda. O campeonato que se propunha ser uma alternativa para as férias da F-1 deu seu primeiro tiro no pé em 2005, fazendo a primeira corrida da sua história justamente no dia da decisão do Campeonato Mundial de F-1 em Interlagos! Aí é brabo… Outra coisa que poderiam fazer com mais critério é a distribuição de engenheiros e técnicos por equipes. O que existe hoje é praticamente um aluguel de profissionais, que atendem duas, três, às vezes quatro times. E esses caras continuam sendo donos ou chefes de equipes de F-3 Inglesa, por exemplo. Não há muito apego ou dedicação à categoria, apenas uma literal prestação de serviços.
Ricardo César
November 20th, 2007 at 10:14 pm
5Grünwald
É justamente esse amadorismo que faz lembrar a F1 dos ano 50, onde se corria por amor a velocidade, sem tanto efeito comercial, acho que essa foi a intenção do Sheikh Hasher, resgatar algo que a muito tempo não existe mais na F1.
O que não quer dizer que a A1 GP não consiga se tornar mais profissional com o tempo, assim como ocorreu com a F1.
Abraço
Grünwald
November 21st, 2007 at 2:41 pm
6Não falo de amadorismo “romântico”, do “fazer por amor”, mas sim de atitudes que jogam contra o patrimônio, que são nocivas à própria categoria.
Quando a idéia foi ventilada pela primeira vez, confesso que me entusiasmei bastante, e cheguei a trocar vários e-maisl com meu primo (também admirador do esporte) sobre a nova categoria.
O problema todo é
Grünwald
November 21st, 2007 at 2:52 pm
7Não falo de amadorismo “romântico”, do “fazer por amor”, mas sim de atitudes que jogam contra o patrimônio, que são nocivas à própria categoria.
Quando a idéia foi ventilada pela primeira vez, confesso que me entusiasmei bastante, e cheguei a trocar vários e-maisl com meu primo (também admirador do esporte) sobre a nova categoria.
O problema todo é que algumas atitudes beiram a burrice, como aquele calendário que iniciou o primeiro campeonato da história justamente no dia em que a F-1 via um sujeito quebrar o recorde de campeão mais jovem de todos os tempos. Será que não pensaram nisso? Será que ninguém achou que rivalizar com a F-1 na reta final do campeonato seria péssimo para a audiência do novo campeonato?
Uma coisa, Ricardo, é fazer as coisas com um olhar mais apaixonado. Outra é deixar de enxergar coisas óbvias que prejudicam a categoria. E os dirigentes já provaram essa “cegueira” algumas vezes nos últimos tempos.
Uma bola dentro é a associação com a Ferrari (embora eu seja contra isso do ponto de vista esportivo da F-1). Ela será extremamente benéfica para a A1 GP. Os carros terão melhor performance, os pilotos serão mais exigidos e o nível dos profissionais de engenharia vai precisra melhorar também. Ou, no mínimo, um mesmo profissional não conseguirá atender três times ao mesmo tempo, como ocore hoje.
Vamos ver.
Abraços
Grünwald
pezzolo
November 22nd, 2007 at 7:11 pm
8belo tópico… adoro a A1GP! Assistia sempre quando passava na internet de graça!
e aí como foi a repercussão do café com velocidade. Ouvi várias vezes o que participei e tenho alguns comentários a fazer, por exemplo está longo demais, bem, eu fui um culpado que falei pelos cotovelos e acho que tinha que ter mais quadros fixos, senão a discussão fica ás vezes sem foco, o que você acha bárbara vamos conversar sobre isso?
abraços
pezzolo
Fabio - Rio Kart
November 23rd, 2007 at 12:42 pm
9Bacana o post!
Concordo que a A1 GP pode cair nas graças do público. Sem comparar com F1, nem mesmo com a F1 dos anos 50 que não vejo muita semelhança com a atual A1GP, é bom podermos acompanhar o desenvolvimento de uma categoria que ainda por cima tem uma equipe brasileira na grelha. A família Fittipaldi sempre levantando a nossa bandeira. Já fizeram de tudo pelo esporte e ainda querem mais.
É normal atitudes “amadoras” como a de correr junto com a F1. Não é de um dia para o outro que se consegue tudo o que quer, da forma como é melhor. A FIA, na F1, faz tanta besteira que disso não poderiamos reclamar da novata A1.
Abraço!
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