22/10/2007
GP do Brasil: A justiça feita sobre linhas tortas
Não que Raikkonen tenha sido o piloto mais fantástico da temporada. Pelo contrário. Até metade dela corriam vários boatos de que no final do ano ele seria dispensado, devido a sua irregularidade. Muito menos que ele tenha sido o melhor piloto do GP Brasil, pois ele foi facilmente batido pelo seu companheiro de equipe Felipe Massa (aliás, Massa mais uma vez foi perfeito no GP Brasil desse ano) e até mesmo no treino ficou atrás de Hamilton.
Mas depois de ficar constatado que a McLaren correu a temporada inteira com um carro irregular, se aproveitando de dados de espionagem para ajustar seu belo carro (que, diga-se de passagem, totalmente diferente do da Ferrari) aos pneus japoneses, o jogo de equipe utilizado pela Ferrari ao fazer com que Raikkonen mesmo mais lento terminasse na frente de Massa fez com que a justiça fosse feita mesmo que por linhas tortas. Só assim pra que esse campeonato extremamente equilibrado não entrasse para a história como o título mais sujo de todos os tempos.
A Raikkonen fica o mérito de mesmo contra os prognósticos de todos, estando em um determinado momento a mais de 20 pontos do líder, não desistiu e sempre declarou que lutaria pelo título enquanto houvesse uma chama acesa. Chama que se tornou um fogaréu ao descontar 17 pontos em duas corridas.
Já a McLaren mereceu a derrota não só pro se aproveitar de dados da Ferrari para andar no mesmo nível da rival, mas também por favorecer descaradamente um piloto nessa temporada. Declarou que no GP Brasil seus pilotos teriam a mesma condição, mas logo na sexta feira ela colocou os dois jogos de pneus de chuva para Hamilton e Alonso foi impedido de treinar em pista molhada. Alonso já estava em desigualdade, pois tinha que correr com um motor mais pesado, devido sua batida no Japão. E a Mclaren sabia disso, então não houve igualdade em nada.
Não podemos esquecer que Alonso não é nenhum santo. Só entregou provas da espionagem a FIA porque se sentia prejudicado na equipe. Ele ajudou (e muito) a equipe a desenvolver o carro baseado nos dados de espionagem, e também não merecia ser campeão.
Já Lewis Hamilton repetiu o feito de Mansell em 1986 e precisando de apenas um 4º lugar em duas corridas perdeu um título quase impossível de ser perdido. Por ironia, a Mclaren perdeu o campeonato em um único GP onde seu protegido foi prejudicado, tivesse ela não modificado a estratégia de Hamilton em Mônaco. Tivesse ele vencido, hoje estaria comemorando o título.
Moral da história: a Ferrari foi campeã com jogo de equipe, diante de outra equipe que fez de tudo nesse ano para ser campeã, menos trabalho em equipe.
Fora da disputa do título podemos fazer uma constatação que o DNA influi e muito no talento de um piloto. Vejamos o exemplo que veio de dentro da equipe Williams; enquanto Rosberg lembrava seu pai com muita velocidade e arrojo com belas disputas com as BMW, terminando na frente delas, o outro piloto da equipe, Kazuki Nakajima, mostrou que herdou o talento de seu pai e na entrada dos boxes atropelou dois mecânicos. Há de se lembrar que no retorno do GP Brasil de 1990 a Interlagos o pai Satoru Nakajima, mesmo sendo retardatário, acertou em cheio o carro de Senna impedindo uma vitória certa do brasileiro em seu GP natal.
Pra quem acompanhou a disputa do G4 durante todo o ano, vou mostrar como ficou as disputas entre eles relatada em números:

Moralmente o quesito vitória deveria ter sido um 5, 4, 4, 4, mas como Massa cedeu a vitória do GP Brasil a Raikkonen por causa da disputa do título, o quesito vitória fica a favor do finlandês.
Somando tudo, a Ferrari teve 9 vitórias, 9 poles e 12 voltas mais rápidas, enquanto a McLaren teve 8 vitórias, 7 poles e 5 voltas mais rápidas. Os números mostraram que dentro da pista foi uma temporada belíssima e muito disputada. Pena que ela foi manchada no extra-pista!
Vou definir as equipes através de * (Ótimo ****, bom ***, Regular ** e Péssimo *), sendo assim:
Ferrari ****
Perfeita. Dominou a corrida, fez pole, melhor volta e ganhou o campeonato bem a seu estilo, com jogo de equipe invertendo as posições de Massa e Raikkonen, mas que dessa vez foi bem justo.
McLaren *
Pior do que perder o campeonato na pista é querer ganhar no tapetão. Depois de ser constatado que, por direito, nem merecia estar na disputa, Alonso tinha um motor inferior a Raikkonen e Hamilton, por isso ficou impossibilitado de fazer alguma coisa. Já Hamilton foi um desastre, mostrando que faltou experiência para chegar ao título.
BMW**
Não só parou de progredir, como na corrida final não teve como segurar Rosberg e seu carro da Williams. Vamos ver se ano que vem alcança Ferrari e McLaren ou se dá um passo pra trás.
Williams ***
Terminou a corrida atrás apenas da Ferrari e de uma McLaren, um prêmio para o talento de Rosberg, que pilotou muito. Já Nakajima filho, mesmo atropelando dois mecânicos, conseguiu fazer a quinta melhor volta da prova. Um mérito para um estreante que não possuía nem o quarto melhor carro da temporada.
Renault *
Terminou o ano como começou. Deu tudo errado e no GP Brasil foi uma tremenda decepção. Vamos ver se acerta ano que vem.
Honda *
Um triste fim de temporada. Barrichello além de ter o motor estourado, teve o demérito de queimar aquela que deveria ser sua melhor posição de largada, e acabou não pontuando no ano. Button também parou com problema de motor. Lamentável.
Toyota **
Razoável com Truli, que chegou em oitavo e terminou nos pontos. Já Ralf passou desapercebido em seu GP de despedida.
Red Bull *
Coulthard andou perto dos pontos, mas infelicidade mesmo teve Webber que vinha bem na corrida e por um problema no carro deixou de pontuar. Temos que lembrar que se no GP Brasil as coisas não andaram bem, a Red Bull talvez tenha sido a equipe que mais evoluiu nessa parte final da temporada, sempre incomodando na classificação.
Toro Rosso *
Outra que não teve um bom final de semana, mas assim como a Red Bull, sua matriz, conseguiu mostrar boas corridas no fim de temporada, principalmente com Vettel (que promete muito). E olha que Bourdais vem aí, com tetra-campeonato da F-Cart.
Super Aguri *
Nas últimas corridas passou a andar pra trás. Falta dinheiro à equipe e a Honda não parece estar disposta a ajudar, pois pegou muito mal durante o ano ver a filial andando na frente da matriz.
Spyker *
Pior em tudo no fim de semana, espera pelo dinheiro do milionário indiano pra ver se consegue algo melhor ano que vem. Pelo menos conseguiu um ponto na temporada.
É isso ai galera. Por esse ano é só, mesmo com tantos problemas espero que tenham gostado dessa temporada assim como eu, pois dentro da pista ela foi uma das mais disputadas dos últimos tempos. Talvez não por tantas batalhas por posição na pista, mas nos números.
Abraço a todos!
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http://www.velocidade.org Bárbara Franzin
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Ricardo César
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