18/09/2007

GP da Bélgica: “O dia depois de amanhã”

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Quem não lembra do filme “O dia depois de amanhã”, com a terra congelando no norte, embaixo de uma tempestade e depois, uma nova era onde tudo seria diferente, com um recomeço, mas sem poder dizer que as pessoas do mundo antigo seriam diferente ou teriam uma conduta diferente.

Pois bem, a F-1 esse fim de semana me lembrou esse filme, onde depois de uma enorme tempestade, o dia depois de amanhã teria que ser diferente. A pena pesada, mais branda que foi dada a McLaren colocou ponto final a uma série de acusações e fizeram que, depois de meses, se tivesse um fim de semana de calmaria. Mas isso não quer dizer que Ron Dennis e companhia se tornaram pessoas diferentes, assim com J. Todt e a Ferrari não mudaram depois do GP da Áustria de 2002, quando para fazer de Schumacher vencedor da prova, ele ordenou que Barrichello desse passagem.

Em menos de cinco anos esse é o segundo “O dia depois de amanhã”, a segunda mancha na categoria e me pergunto de quantos “dias depois de amanhã” serão necessários para que quem goste e assiste a F1 seja tratado com respeito!

Na corrida houve o domínio vermelho. Raikkonen dominou de ponta a ponta e Massa foi segundo de ponta a ponta. Esse campeonato é disputado em termos de vitórias, mas ora a Ferrari domina em uma prova ora a McLaren domina em outra. São raras as disputas na pista, que são relegadas à largada.

Assim com o pelotão da frente vai brincando de carrossel com Raikkonen, Massa, Alonso, Hamilton e Heidfeld mantendo seu papel de 5º do campeonato, a emoção ficou por conta do pelotão intermediário. Kovalainen foi o nome da prova, mas não positivamente, pois escolheu largar de tanque cheio e aí foi ultrapassado por quem chegou atrás: Heidfeld, Webber e Kubica. No fim, com o carro mais vazio, o finlandês conseguiu segurar Kubica e evitou outra ultrapassagem do polonês.

Destaque para Sato que não se importou com Button e mostrou que a filial Aguri mesmo com menos grana tem um pessoal muito mais motivado e profissional que os caras da Honda. E o maior destaque da prova foi Sutil, que com a versão nova do pior carro da F-1, andou em 12º na frente de muito carro de nome. O piloto terminou em 14º, mas pelo que fez merecia algo melhor.

O campeonato está acabando e o G4 ainda tem chance de título, embora a Ferrari vive seu dilema interno. Massa está com vinte pontos atrás dos líderes e a Scuderia deve pedir para que ele ajude Raikkonen, que está a treze pontos a menos na disputa. Porém, existem outras embates nesse campeonato: o de maior vencedor apresenta um empate de Alonso e Raikkonen com quatro vitórias e Massa e Hamilton com três, já a disputa de piloto mais rápido da temporada quem está ganhando é Massa, que possui cinco poles contra três de Hamilton, Raikkonen e Alonso.
Vou definir as equipes através de * (Ótimo ****, bom ***, Regular ** e Péssimo *), sendo assim:

Ferrari ****:
Se recuperou completamente do fiasco de Monza, fez dobradinha nos treinos e na corrida, além de melhor volta, dizer mais o que depois disso?

McLaren *:
Fora da disputa do título de construtores merecidamente não tem mais por que exigir que seus pilotos tenham cuidado um com o outro. Assim, Alonso espremeu Hamilton antes da Eua Rouge. A equipe merece uma estrela não só por não andar no nível da Ferrari, mas também pela alegria de Ron Dennis, feliz por estar na disputa de um campeonato que a princípio deveria ter sido disputado pelos dois pilotos da Ferrari.

BMW **:
Tem um ótimo terceiro melhor carro e isso fez com que mesmo Heidfeld largando mal, conseguisse chegar em 5º e que Kubica chegasse perto dos pontos, mesmo largando atrás por troca de motor.

Williams ***:
Rosberg deu um show e só não terminou em 5º porque a BMW tem um carro mais rápido. O piloto também fez uma bela ultrapassagem em Kovalainen. Já Wurz se apegava ao fato de ter mais pontos que Rosberg, mas nem isso pode mais. A tartaruga definitivamente ficou pra trás.

Renault *:
Fisichella nem teve tempo para correr, já Kovalainen até que largou bem, mas a equipe escolheu uma péssima estratégia e quem chegou nele passou. No fim da prova ainda coseguiu segurar Kubica, mas com a tática correta poderia ter conseguido mais.

Honda *:
Button não terminou e antes de parar foi deixado para trás por Sato. Corre o boato de que o carro dele e de Barrichello embora tenha a mesma cor seja completamente diferente. O pior é que nenhum dos dois anda bem. Barrichello, para variar, escolheu uma tática que o tira de lugar nenhum e o leva para lugar algum. Largou com tanque cheio e continua zerado nos pontos.

Toyota *:
É difícil entender o que acontece com essa equipe. Vai bem no treino, mas some na corrida. Ralf está em fim de carreira e Trulli parece leão de treino e larga mal.

Aguri *:
Merece o destaque pela ultrapassagem de Sato em Button, mas o carro é fraco e só não terminaram atrás de Yamamoto, da Spyker, pois este não deveria nem ter licença pra correr.

Red Bull ***:

Andou bem com Webber nos treinos e na corrida, conseguiu estar entres os primeiros chegando em sétimo. Couthard teve problemas, mas ficou longe de acompanhar o ritmo do companheiro de equipe na corrida.

Toro Rosso **:
Liuzzi sempre anda na frente do badalado Vettel e teve o mérito de chegar em 12º na frente de Honda, Spyker e Super Aguri. Porém, este fato foi mais por tática de corrida do que por brilho de seu piloto.

f1-2007-bel-xp-2029.jpgSpyker ****:
Parece loucura, mas merece quatro estrelas, pois para quem andou sempre atrás do pelotão o ano inteiro,com o pior carro da temporada, andar em 12º na frente de oito carros foi um feito. A nova versão do carro, que parecia não ser muito diferente da antiga em Monza, mostrou certa evolução nessa prova.

Pra terminar, queria fazer uma auto análise sobre os últimos acontecimentos. Me colocando no lugar da vítima (Ferrari) cheguei a conclusão que foi uma pena branda. A McLaren merecia ser excluída. Porém, também me coloquei no papel da ré (McLaren), e pensei como agiria se alguém de uma empresa rival me aparecesse com dados que ajudariam a melhorar minha empresa e como eu agiria diante disso. Depois de pensar e pensar percebi que mesmo sendo honesto provavelmente eu também teria sido condenado pela FIA, pois o grande vilão dessa história foi e é o engenheiro da Ferrari que traiu a própria equipe. Pergunto aos que lerem esse texto, o que vocês fariam se estivessem no lugar do engenheiro da McLaren?

Um abraço a todos e espero seus comentários,
Ricardo César

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é ator e nossa enciclopédia viva em constante atualização.
  • http://blogf-1.blogspot.com Felipe

    Gostei de ver o desempenho do Sutil, era isso que faziam os pilotos na antiga Jordan para serem revelados, mas ultimamente as coisas não favorecem muito aos pequenos, ainda mais com a crise de ultrapassagens e excesso de estabilidade nos carros. O alemão deu um calorzinho no Coulthard…

    Tô começando a achar que Hamilton tá ficando pra trás e Alonso pode ser o grande favorito agora. Que chato isso.

  • http://blogf-1.blogspot.com Felipe

    Gostei de ver o desempenho do Sutil, era isso que faziam os pilotos na antiga Jordan para serem revelados, mas ultimamente as coisas não favorecem muito aos pequenos, ainda mais com a crise de ultrapassagens e excesso de estabilidade nos carros. O alemão deu um calorzinho no Coulthard…

    Tô começando a achar que Hamilton tá ficando pra trás e Alonso pode ser o grande favorito agora. Que chato isso.

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